Funcionários de parque buscam trabalhos alternativos em Passo Fundo

Rei Center está fechado há 45 dias em razão da bandeira preta no RS

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Funcionários estão recebendo salários parcelados (Foto: Gerson Lopes/ON)Funcionários estão recebendo salários parcelados (Foto: Gerson Lopes/ON)
Funcionários estão recebendo salários parcelados (Foto: Gerson Lopes/ON)
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Limpeza de terrenos, realização de fretes e a venda de maçãs do amor, são algumas das atividades que funcionários do Rei Center Park, instalado desde o final de dezembro em Passo Fundo, estão adotando para sobreviver. Desde o decreto do governador Eduardo Leite, determinando bandeira preta em todo o estado, há 45 dias, os brinquedos do parque permanecem parados e o portão fechado. 

“A gente está acostumado com uma rotina, sempre no meio do povo, aí vem uma pandemia. Tivemos que parar de repente e se adaptar”, conta o funcionário Eleandro Alves, funcionário do parque há quase dez anos. 

A estrutura do Rei Center chegou a Passo Fundo no final de dezembro, mas os portões somente foram abertos no início de janeiro. O movimento, principalmente nos fins de semana, animou os funcionários e acenou para a possibilidade de amenizar os prejuízos acumulados no ano passado, quando ficaram oito meses fechados em Erechim, pelo mesmo motivo: a pandemia. A expectativa não durou por muito tempo. No dia 22 de fevereiro, o decreto estadual determinou novo fechamento. 

O parque ficou aberto por 43 dias entre janeiro e fevereiro, antes de fechar novamente (Foto: Bruna Scheifler/ON)

 “Nós nunca pensamos na vida que aconteceria isso. Ninguém pensaria, nós que somos dos parques de diversões achamos que ia ser fácil, mas não está sendo não”, diz o gerente Cristiano B. Pedroso.

 Antes da pandemia, o grupo visitava em torno de 12 cidades por ano, ficando no máximo dois meses em cada uma delas. “É complicado, porque as contas não batem e eles não querem saber, as contas, os boletos. Volta e meia recebo ligações”, relata Cristiano. “O salário está parcelado porque não tem como, o dono sem ganhar na bilheteria não tem como nos pagar”, reforça Eleandro.

Eleandro Alves é um dos funcionários mantidos durante a pandemia (Foto: Gerson Lopes/ON)

Funcionários

Grande parte dos funcionários, especialmente os temporários, precisou ser dispensada. Para quem tem carteira assinada, o emprego está garantido pelo menos até junho. Isso porque a empresa aderiu a uma medida do governo federal que impede as demissões. Nessa lista estão algumas poucas famílias com crianças. Eleandro precisou levar a esposa e o filho para São Leopoldo, há um mês devido ao risco de contaminação. “A saudade é bastante, é complicado”, diz o parqueiro. Já Eduarda dos Santos Lankamer, que trabalha há três anos no parque na cozinha e venda de Crepes, vive no local com o marido e o filho de sete meses. “Estamos precisando de ajuda, não pode trabalhar e aí como está fechado não entra dinheiro. E eu tenho o nenê, preciso de ajuda também, a gente está se virando como pode”, conta a jovem.

Jorge Rodrigo nasceu há sete meses em Erechim (Foto: Bruna Scheifler/ON)

Bicos

Para se manter, os funcionários buscam trabalhos alternativos. “A gente faz bicos, frete para mudança, limpa pátio, corta grama e essas coisas”, explica Cristiano. O dinheiro do trabalho é utilizado para o estoque de comida, de acordo com o gerente. Eles também estão recebendo algumas doações que auxiliam a completar a renda. “Tem gente precisando mais que nós, mas estamos na luta”, explica o gerente. Uma publicação chegou a ser feita por Eduarda nas redes sociais, oferecendo até encomenda de maçãs do amor, para divulgar os trabalhos realizados pelos funcionários.

Além dos trabalhos alternativos, mesmo sem a presença do público, eles seguem trabalhando no parque. “Também estamos fazendo a manutenção e pintando os brinquedos, para manter em ordem para quando abrir estar tudo bonito”, ressalta Cristiano.

Expectativa

Vivendo nessa rotina, os funcionários esperam pela reabertura. “A gente espera que a bandeira volte para a vermelha pelo menos, já que não vai voltar para laranja, voltando para a vermelha já nos ajuda a abrir com a capacidade de 25% e pagar as contas, ganhar um dinheiro”, explica o gerente. 

Cristiano Pedroso coordena a manutenção do parque (Foto: Gerson Lopes/ON)

“Eu espero que o parque abra de uma vez para a gente poder trabalhar e que passe tudo isso porque todo mundo precisa trabalhar, todos precisam”, ressalta Eduarda. Cientes da situação da pandemia, caso a bandeira não seja alterada, a esperança é por algum auxílio. “Eu queria que ajudassem a gente, algum auxílio, porque vivemos disso aqui, se está fechado a gente não tem como se manter”, desabafa a jovem, de 22 anos.

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