Aniello D’Arienzo morre aos 88 anos de idade

Ex-presidente do Gaúcho foi Campeão da Divisão de Ascenso em 1966

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Aniello D’Arienzo: 02/11/1936 – 20/05/2025  Foto – Álbum de FamíliaAniello D’Arienzo: 02/11/1936 – 20/05/2025  Foto – Álbum de Família
Aniello D’Arienzo: 02/11/1936 – 20/05/2025 Foto – Álbum de Família
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Morreu às 03h28 de terça-feira, 20, Aniello D’Arienzo. Ele estava com 88 anos e há meses enfrentava problemas de saúde. Natural de Passo Fundo, deixa os filhos Maria Cristina, Maria Augusta, Marcelo, Graciela e Gabriela, além da viúva Beatriz. Ele atuou no comércio e foi presidente do Sport Clube Gaúcho. Brizolista, nunca disputou uma eleição, porém, sempre atuou nas campanhas e bastidores eleitorais. Aniello era conhecido pela sua privilegiada memória, uma autêntica enciclopédia do cotidiano político, social e esportivo de Passo Fundo.  

Casamentos e filhos

Aniello era filho do italiano Leopoldo D’Arienzo e de Syria Seady D’Arienzo. O casal teve dois filhos: Aniello e Leopoldo Júnior, também falecido. A família manteve por décadas a tradicional Casa D’Arienzo, em frente à Praça Marechal Floriano, esquina da Independência com General Netto. Aniello nasceu em 02 de novembro de 1956. Realizou três matrimônios: com Maria de Lourdes (mãe de Maria Cristina, Gutta e Marcelo), com Eva (mãe de Graciela e Gabriela) e nos últimos anos estava casado com Beatriz.

Estudos e trabalho

Aniello estudou nas séries iniciais da Escola Protásio Alves, depois passou pelo Conceição e Instituto Educacional. Em seguida foi estudar em Porto Alegre, época em que dividia o apartamento com dois jovens jornalistas: Tarso de Castro e Paulo Totti, logo depois consagrados nacionalmente. D’Arienzo seguiu outro rumo e trabalhou numa granja em Viamão e, depois, com um tio em Palmeira das Missões. Mais tarde o primogênito voltou para casa e, ao lado dos pais, ficou atrás do balcão da conhecida loja de tecidos.

O jovem presidente

A paixão de Aniello pelo Sport Clube Gaúcho era imensa. Um torcedor fanático que chegou à presidência do clube. Tinha apenas 29 anos quando seu nome foi proposto por outro nome icônico do Periquito do Boqueirão: Flávio Araújo. Não houve tempo para titubear e virou presidente. Esteve no cargo até 1969. Mais tarde, ainda voltou à direção do clube como dirigente e conselheiro. Bom de argumentos, sustentava discussões calorosas no Oásis em defesa do alviverde. Quando a Casa D’Arienzo fechou as portas, ele dizia que “não tinha como dar certo, pois os dois irmãos estavam um (ele) no Gaúcho e outro (Leopoldinho) na política”. O irmão Leopoldinho repetia o mesmo.

Título inédito

O presidente D’Arienzo (de óculos) com o time campeão de 1966 - Foto – Arquivo-ON

Se o futebol necessita de entrosamento em campo, o jovem e bem articulado presidente levou o seu entrosamento social para o Periquito do Boqueirão. Ele tinha as artimanhas do cotidiano e soube cercar-se de velhas águias e outros jovens fanáticos. Sua primeira gestão foi coroada com o título da então Divisão de Ascenso (depois denominada Divisão de Acesso, Segunda Divisão e, agora, Série A2) em 1966. A comemoração do título inédito foi uma das maiores festas de Passo Fundo. Historicamente, Aniello D’Arienzo morreu ostentando a condição de único presidente do Gaúcho campeão estadual.

Brizolista convicto

A política fluía em alta velocidade pelas veias do filho de italiano com uma descendente sírio-libanesa. Em Porto Alegre, conviveu com amigos do velho Partidão, o que lhe deu uma boa guinada à esquerda. Mas a sua paixão partidária era pelo Brizola e nomes locais como Wolmar Salton, Airton Dipp, Carlos Armando Salton e Éden Pedroso. O curioso é que seu irmão, Leopoldinho, estava sempre em lado oposto. Essa convivência permitiu muita flauta e boas piadas de parte a parte. Brizolista fanático, nunca participou da política como candidato. Porém, agitou por fora e sempre atuou nas campanhas eleitorais.

Enciclopédia do cotidiano

Aniello era conhecido pela sua memória privilegiada, uma autêntica enciclopédia do cotidiano político, social e esportivo de Passo Fundo. E, além disso, seu humor e tiradas contundentes marcaram sua vida na comunidade passo-fundense. Na Mesa Um do Oásis, corrigia todas as manifestações que estivessem erradas. Citava datas, nomes e fatos com preciosos detalhes. Sem papas na língua, ia em segundos das palavras amáveis aos mais bem colocados palavrões. Sempre embasados em fatos históricos. Tiradas certeiras que tinham o peso de sentença inapelável. E não faltava uma ironia no arremate do diálogo.

Analista político

Na eleição de 1986, o Nacional em parceria com a extinta Rádio Passo Fundo montou a primeira cobertura informatizada de um pleito no interior do RS. Como comentaristas participaram Aniello D’Arienzo e Eduardo Mattevi. A mesma equipe atuou na eleição de 1988, ainda com apuração no Clube Juvenil. Quando abriram as primeiras urnas da Vila Rodrigues, reduto do candidato Taschetto (PDS), Osvaldo Gomes (PMDB) fez mais votos. Aniello sentenciou: “a direita sabe fazer o voto útil. O Gomes vai ganhar essa eleição”. Dito e feito: por 65 votos superou o favorito, Carlos Armando Salton (PDT). Da leitura do mapa político às folclóricas reminiscências eleitorais, D’Arienzo conhecia tudo. Mais tarde, também atuou como comentarista da Rádio Uirapuru. Nos últimos anos, raras vezes batia o ponto no Oásis. Mas quando aparecia soltava o verbo de forma ainda mais contundente. Tinha bagagem para isso e muito mais. Porém, na terça-feira, fechou a “nossa” enciclopédia.

 

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