A moda do retrô

Disco de vinil e gibis antigos roubam a cena do personagem principal e têm grande procura na Feira do Livro

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O cheiro do antigo se diferencia do cheiro da página nova. Chama a atenção e desperta os sentidos. O amarelo das páginas se confunde e, por vezes, vira preferência do leitor que passa pela 26ª Feira do Livro. O retrô voltou, está na moda e é tendência. No Sebo Café, que expõe pela primeira vez na Feira, o prato principal fica por conta dos discos de vinil e dos gibis antigos que fizeram parte dos anos 80 e 90.

Uma poltrona, uma bebida e boa música. É assim que Diones Lima, de 28 anos, gosta de passar o tempo livre. Se for ao lado de uma vitrola com um dos discos do acervo pessoal no lado B, melhor.  Apaixonado pelo vinil, Diones acredita em uma forma diferente de ver a música. “95% das coisas que você escuta, você não precisa, na verdade, ouvir. Coloca o fone de ouvido e pronto. Mas eu não acredito que a música deva ser escutada assim. É algo muito maior”, comenta. Quando tem tempo, se dedica à coleção. Troca, compra e busca volumes raros. Na maioria das vezes, é no Sebo Café que ele encontra.

Leonardo Arbter, dono do brechó de livros e discos, faz uma busca semelhante para atender aos colecionadores, assim como Diones. “Sempre que viajo eu busco algo para trazer para o Sebo. As vezes busco na internet, as vezes vem um pessoal oferecer”, comenta. A busca dá resultado: a procura pelo vinil frequentemente ultrapassa a procura pelo livro e só na Feira do Livro, por exemplo, já foram vendidos mais ou menos 50 vinis. O preço também é um atrativo: “de R$ 1 a R$ 150, depende do cantor, do estado do disco, das músicas e da época”, explica. Para ele, o clima que envolve o vinil vence na hora da escolha: “Eu acredito que seja melhor que o CD. O CD é uma tecnologia que não deu certo, na minha opinião. O vinil tem uma magia que o CD não tem.”

Para Diones é justamente nessa magia que o gosto se justifica. A história dele com o disco começou quando, lá pelos anos 2000, sua casa foi roubada e, junto com ela, sua coleção de CD’s. Decidiu, então, optar pelo vinil. Hoje ele tem a disposição, uma coleção de 200 títulos. E a escolha permanece: “Todas as vezes que decidi me mudar a única certeza que eu tive foi que eu levaria comigo os meus discos e os meus livros.”

Nesse rumo das antiguidades, outra opção que resolveu voltar são os gibis antigos. Ao lado dos vinis, são os campeões de vendas do Sebo. “As pessoas procuram o antigo. Procuram o gibi de 1960, do Zorro ou aqueles gibis de faroeste que fizeram sucesso nos anos 50”, comenta Leonardo. Nas prateleiras, eles ganham a atenção de crianças e adultos. “O público é muito diversificado. A criança gosta de conhecer e o adulto de reencontrar”. Seja pelo colorido desbotado dos personagens ou pela nostalgia que carregam, os gibis estão em alta na passarela da literatura.

Em uma edição da Feira em que a fantasia dos livros contemporâneos - cheios de dragões ou personagens filhos de deuses gregos - ganha destaque, o antigo e tradicional, presente nas páginas amareladas tornam-se fortes concorrentes. A moda, então, é recorrer ao passado.

 

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