O Brasil celebra nesta quinta-feira (20) o Dia da Consciência Negra, data que homenageia Zumbi dos Palmares e reforça a luta contra o racismo e a valorização da cultura afro-brasileira.
A história da data foi construída após uma longa trajetória de resistência da população negra. Após a abolição da escravidão em 1888, a comunidade negra enfrentou a marginalização e a falta de direitos básicos, mas manteve viva sua cultura e identidade. Em 1971, um grupo de estudos em Porto Alegre propôs o 20 de novembro como símbolo da luta e da valorização da negritude. Este dia foi escolhido em homenagem a Zumbi dos Palmares, líder morto nessa data e que foi o último líder do Quilombo dos Palmares, a maior comunidade de resistência à escravidão no Brasil colonial. A partir desse movimento, organizações como o Movimento Negro Unificado fortaleceram a causa, contribuindo para avanços legais e para a consolidação da data como marco nacional de conscientização e combate ao racismo.
Feriado
Este é somente o segundo ano em que o 20 de novembro se consolida como feriado nacional, em reconhecimento à história de resistência negra no país. Segundo o Censo 2022, mais da metade dos brasileiros se identifica como preta ou parda, e uma pesquisa do Ministério da Igualdade Racial revelou que 84% desse grupo já vivenciou discriminação racial.
Ações
Em Passo Fundo, a Prefeitura está realizando uma série de ações em alusão à Semana da Consciência Negra, organizada pela Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial. A programação teve início na última sexta-feira (14), com o Jantar Temático Afro-Brasileiro, e segue com espetáculos, rodas de conversa, exibição de filmes e debates.
Para a coordenadora de Promoção da Igualdade Racial, Mara Cavalheiro, a semana é um marco para reafirmar a memória e a resistência do povo negro. “A Semana da Consciência Negra é uma oportunidade de dar à população passo-fundense um espaço de reflexão sobre a luta e a resistência do povo negro, combatendo a desigualdade racial e o preconceito. Não é uma simples data no calendário, mas um momento de luta pela história do povo negro”, destacou.
Ela destaca que as atividades já reuniram grande participação popular: “Tivemos um jantar de abertura com mais de 60% de participantes da comunidade negra, um espetáculo aberto ao público e um encontro emocionante com mais de 50 mulheres negras. Cada ação foi um espaço de escuta, troca e reconhecimento”.
A programação segue até o dia 20, com destaque para a palestra que acontece nesta segunda-feira (19), ministrada pela professora Luiza Mandela, no Teatro do SESC, que abordará o letramento racial e o enfrentamento do racismo estrutural. No dia 20, a partir das 16h, ocorre a Kizomba, a festa da raça, com samba, pagode e comidas tradicionais, como feijoada, acarajé e doces típicos. “Criamos uma agenda intensa para toda a semana, com sete dias de atividades. Queremos que a comunidade participe, conheça mais sobre a cultura afro-brasileira e compreenda a importância do combate ao racismo em todos os espaços”, reforça Mara Cavalheiro.
Programação
Quarta-feira (19/11)
Palestra: “Letramento Racial: A Urgência de Decodificar o Mundo para Enfrentar o Racismo Estrutural”
Com a professora Luiza Mandela
Local: Teatro do SESC Passo Fundo
Horário: 20h



