JBS de Passo Fundo perde autorização de exportação para a China

Medida é Ministério da Agricultura por solicitação do Governo de Pequim. A Associação Brasileira de Proteína Animal tenta reverter a decisão

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O Ministério da Agricultura suspendeu a autorização para que a carne de frango produzida no frigorífico da JBS em Passo Fundo seja exportada para a China. Este é o segundo frigorífico brasileiro a ter a licença retirada por causa de casos de Covid-19 entre trabalhadores. No início da semana passada, o abatedouro de bovinos Agra, no Mato Grosso, também foi suspenso.

A decisão foi tomada depois que o governo chinês pediu que os países suspendam a exportação de produtos alimentícios cujos estabelecimentos produtores tenham identificado funcionários infectados com a covid-19, em situação que crie risco de contaminação dos alimentos. A decisão foi tomada mesmo que não hajam evidências científicas de que esses alimentos possam transmitir o vírus. 

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra, vê esta decisão com bastante preocupação. Ele disse que a entidade está em contato com o Ministério da Agricultura para buscar uma alternativa. “Uma das sugestões que estamos trabalhando é que o Brasil garanta um exame sanitário no porto de destino. A intenção é  comprovar que o produto exportado está livre de qualquer contaminação”, explicou ele. Segundo Turra, essa é uma garantia de que a cadeia produtiva não terá maiores perdas além daquelas já contabilizadas. 

Retomada parcial

A Justiça autorizou, na sexta-feira (26) a retomada parcial do funcionamento do frigorífico JBS em Passo Fundo. Pela decisão da desembargadora Vania Cunha Mattos, do Tribunal Regional da 4ª Região, a unidade poderá reabrir os setores de expedição e paletização do abatedouro de carne de frango, pelo período de quatro dias. A decisão levou em consideração o pedido feito pela empresa para evitar a perda de 1,5 mil toneladas de produtos, prontos para expedição. A desembargadora também autorizou o preparo para expedição de outras 700 toneladas de alimentos que estavam no túnel de congelamento. Nos dois setores trabalham 80 funcionários. 

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) interditou a unidade de Passo Fundo na quinta-feira (25), com base em pedido encaminhado pelo Ministério Público do Trabalho e da Advocacia Geral da União. A medida deve permanecer até a empresa comprovar a adoção de medidas de proteção determinadas pela Gerência Regional do Trabalho (GRT).

Prejuízos na cadeia produtiva

Francisco Turra enfatizou que a retomada parcial das atividades da JBS em Passo Fundo não chega a minimizar os prejuízos para a cadeia produtiva. Segundo ele, é necessário  avaliar que não se tratam apenas de prejuízos da planta da empresa em Passo Fundo, pois há toda uma cadeia produtiva, que inicia desde o produtor rural, que está contabilizando perdas com o fechamento da empresa, pois a matéria prima está parada nas propriedades rurais. “Esta decisão está repercutindo de forma péssima na direção da empresa, pois os protocolos adotados são aprovados pelo Hospital Albert Einsten. A  empresa tem feito um esforço muito grande para zelar pela segurança”, explicou ele. 

Turra também entende que o fato de a  região de Passo Fundo ter permanecido em bandeira vermelha em relação à classificação de risco de contágio do Covd-19, (decisão tomada pelo Governo de Eduardo Leite e anunciada na tarde de ontem) é outro fator que pode ter reflexos negativos para a cadeia produtiva de proteína animal, e por isso, a entidade vai ficar atenta para  possíveis perdas que estão sendo acumuladas. 

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