“Jamais sairia daqui”, diz empresária que vive em Dubai durante conflito entre Irã, Israel e EUA

Há 16 anos nos Emirados, Lygia Galvão relata fechamento do espaço aéreo, aulas on-line e clima de apreensão, mas afirma confiar na estrutura e na defesa do país

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Brasileira Lygia Galvão vive há 16 anos em Dubai - Fotos: Arquivo pessoalBrasileira Lygia Galvão vive há 16 anos em Dubai - Fotos: Arquivo pessoal
Brasileira Lygia Galvão vive há 16 anos em Dubai - Fotos: Arquivo pessoal
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O novo capítulo da escalada militar entre Irã, Israel e Estados Unidos, iniciado em 28 de fevereiro, ampliou a instabilidade no Oriente Médio e provocou reações em diferentes países da região. Ataques e contra-ataques elevaram o nível de alerta, impactaram rotas aéreas e reacenderam o temor de um conflito de maiores proporções.

 A troca de ofensivas intensificou a mobilização militar e levou ao fechamento temporário de espaços aéreos estratégicos. A movimentação afetou diretamente países vizinhos, mesmo aqueles que não participam diretamente das ações bélicas.

 Um dos reflexos foi sentido nos Emirados Árabes Unidos, especialmente em Dubai, um dos principais centros financeiros e turísticos do mundo árabe. Localizada na costa sudeste do Golfo Pérsico, Dubai é um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos. O país faz fronteira com a Arábia Saudita e Omã e está a poucos quilômetros, por via marítima, do Irã — um dos protagonistas da atual crise. A posição geográfica estratégica coloca a região sob atenção constante em momentos de tensão no Golfo.

 Mesmo sem registrar ataques diretos de grande escala, os Emirados adotaram medidas preventivas. O espaço aéreo foi fechado temporariamente e reaberto de forma gradual, impactando voos internacionais e o setor turístico. Escolas migraram para o ensino on-line como medida de precaução.

 É nesse cenário que vive a brasileira Lygia Galvão, natural de Cachoeira Paulista (SP), que reside em Dubai há 16 anos. Empresária no ramo do turismo, ela construiu a vida no país ao lado do marido, que trabalha na aviação, e das duas filhas.

Rotina

Segundo Lygia, apesar da tensão regional, a rotina foi pouco alterada. No momento, não há registro de desabastecimento ou colapso estrutural em Dubai, mas o clima é de atenção redobrada. Autoridades monitoram o espaço aéreo e mantêm protocolos de segurança reforçados. “A escola da minha filha está on-line. De resto, está tudo igual: sistema de transporte, abastecimento de água, energia, gasolina. Não temos desabastecimento ou aumento de preços no supermercado”, relata.

Ela afirma que as grandes atrações turísticas seguem abertas e funcionam normalmente, embora o setor tenha sentido o impacto do fechamento do espaço aéreo. “O espaço aéreo foi fechado e está reabrindo aos poucos”, explica.

Mesmo diante do cenário de instabilidade, Lygia descarta deixar o país. “Jamais”, responde, de forma enfática, ao ser questionada sobre a possibilidade de sair dos Emirados.

Segurança

Para ela, o país oferece segurança e estrutura mesmo em momentos delicados. “Construí minha vida aqui. Tenho muito orgulho do país que escolhi para criar minha família. É um país com sistema de defesa impecável”, afirma.

A brasileira também destaca características que, na avaliação dela, diferenciam os Emirados na região. “É um país inovador, tolerante, que sempre pregou a convivência entre religiões. Temos sinagogas, templos, mesquitas, igrejas, mais de 80 nacionalidades convivendo”, diz.

Apesar da confiança no governo local, Lygia não esconde a indignação com o contexto geopolítico. “Dubai não merece o que está passando. Aliás, o país todo. É muito injusto”, lamenta.

Em meio à tensão, a fala de Lygia traduz o sentimento de muitos expatriados: preocupação com o cenário internacional, mas confiança na estrutura local. Uma realidade marcada por incertezas externas e, ao menos por enquanto, estabilidade interna.

Enquanto líderes mundiais discutem possíveis caminhos diplomáticos, moradores da região seguem adaptando a rotina e acompanhando, à distância — mas não indiferentes — os desdobramentos de um conflito que ultrapassa fronteiras e afeta o equilíbrio global.


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