OPINIÃO

Estados Unidos – uma máquina de guerra sem freio constitucional

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A crítica de Jeffrey Sachs

Sachs, economista norte-americano, uma das vozes mais influentes e reconhecidas nos debates sobre economia global e geopolítica, tem afirmado que os EUA já não operam plenamente como uma democracia constitucional porque os mecanismos de limitação do poder presidencial teriam se enfraquecido.

Expansão do poder presidencial

Segundo Sachs, o presidente de seu país toma decisões militares e de política externa sem controle efetivo do Congresso, governando por “ordem pessoal” e rompendo a separação de poderes. Até monarcas históricos enfrentavam limites mais claros do que o presidente norte‑americano atual, diz Sachs. O Legislativo norte-americano teria deixado de exercer sua função de contrapeso, inclusive abrindo mão de sua prerrogativa de declarar guerra, o que permitiria ao Executivo agir sem limites institucionais.

Máquina de guerra

           Sachs afirma que os Estados Unidos se tornaram uma máquina de guerra a serviço da projeção de poder global, com decisões militares tomadas à margem da Constituição e do direito internacional. Para ele, a política externa foi capturada por interesses permanentes ligados ao setor bélico, confirmando o alerta feito pelo presidente Dwight D. Eisenhower em 1961 sobre a influência crescente do complexo industrial‑militar — a aliança entre indústria de armamentos, grandes corporações e Forças Armadas. Na avaliação de Sachs, essa estrutura passou a moldar prioridades nacionais e a orientar escolhas estratégicas mais por interesses militares e tecnológicos do que por deliberação democrática.

Operações militares secretas

           Jeffrey Sachs costuma citar o livro Covert Regime Change: America’s Secret Cold War (“Mudança de Regime Encoberta: A Guerra Fria Secreta dos Estados Unidos”) escrito por Lindsey A, O’Rourke, publicado em 2018. A autora documenta 64 operações clandestinas de mudança de regimes realizadas entre 1947 e 1989, além de diversas tentativas fracassadas. Essas ações incluíam golpes de Estado, assassinatos políticos, manipulação eleitoral e apoio secreto a grupos armados. Embora o discurso oficial fosse o combate ao comunismo, Sachs observa que essa justificativa não explica tudo. Interesses estratégicos, econômicos e geopolíticos frequentemente pesavam mais — como acesso a recursos, alinhamentos diplomáticos e influência regional. As operações eram mantidas em sigilo para evitar custos políticos internos, reduzir o risco de confronto direto e permitir que Washington negasse qualquer envolvimento.

Bases militares em todo o planeta

           Incluindo grandes instalações, pequenos destacamentos, postos avançados e estruturas logísticas, os Estados Unidos mantêm mais de 750 bases militares distribuídas por mais de oitenta países. Para Jeffrey Sachs, esse número evidencia que a política externa norte‑americana é orientada sobretudo por interesses militares e corporativos, e não por princípios democráticos ou diplomáticos. Essa realidade, argumenta ele, conecta‑se diretamente ao alerta feito por Eisenhower sobre a formação de um sistema que opera sem controle democrático efetivo e exerce influência profunda sobre as decisões de política externa.  

Um império invisível

Para muitos críticos, a rede de bases militares dos Estados Unidos constitui um “império invisível”, uma forma de projeção do poder global norte‑americano que dispensa o controle territorial direto sobre outros países. Também é frequente o argumento de que a presença de bases estrangeiras compromete a soberania dos países hospedeiros, ao limitar sua autonomia política e militar. Além disso, essas instalações frequentemente se tornam alvos de grupos hostis. É o que ocorre atualmente, com ataques iranianos contra bases dos EUA no Golfo Pérsico em resposta a ações militares norte‑americanas e israelenses.

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