Em Passo Fundo, as lojas há alguns anos decidiram aderir à inclusão da moda plus size aos seus catálogos. Em uma tradução literal, “plus size” significa “tamanho grande”, ou seja, roupas direcionadas às gordinhas e aos gordinhos. A indústria fashion, seja ela a das passarelas e alta costura ou a de lojas populares, por muito tempo seguiram uma linha concentrada em pessoas com corpos que mais se aproximavam dos tradicionais manequins, mas esse paradigma vem sendo quebrado com a inserção de modelos e roupas plus size no dia a dia do consumidor, e no centro de Passo Fundo essas lojas estão cada vez mais presentes no comércio.
Roselei Jamdt é dona da K2 Moda Grande, loja especializada na venda de roupas plus size na cidade. De acordo com ela, o negócio pareceu promissor devido a pouca oferta de lojas focadas nesse tipo de mercadoria. Conforme Roselei, a loja não deixa a desejar: “vemos que é um bom ponto de vista, vale a pena a gente investir. Muitas pessoas buscam por esse tipo de roupa hoje em dia e não conseguem encontrar nas lojas que oferecem do tamanho 38 ao 48.” A K2 oferece tamanhos que vão do 38 ao 68, fugindo e muito do trivial vendido pelas lojas.
Além do comércio, cada vez é mais perceptível a presença de modelos da moda grande nos desfiles e catálogos. A loja Daira é focada em moda íntima e uma das primeiras na cidade a oferecer linhas especiais de lingeries plus size, que vestem dos tamanhos 48 ao 56, e exibe, na área da loja, um outdoor com uma modelo plus size, vestindo a linha de lingeries.
E essa opção não é interessante somente do ponto de vista lucrativo: a popularização da moda grande também ajuda na inclusão e autoestima das mulheres que não se inserem nos tamanhos P, M e G. A mestre em psicologia Maristela Piva falou ao MIX da importância para a autoestima e aceitação dessas pessoas de conseguir se enxergar e se identificar com essa tendência: “não tenho dúvida de que o reconhecimento da questão social dessas pessoas é muito importante, porque além de consumidoras, essas pessoas podem estar muito bem de bem com a vida, se vestir como todo mundo e podem se sentir bonitas mesmo desviando daquilo que esteticamente foi decidido como o que seria ‘correto’. Se for possível retocar a autoestima, isso [os padrões impostos] não tomam conta do modo de se enxergar.”, explica.
Apesar da aceitação e inclusão crescentes, ainda há um caminho significativo a ser percorrido até que de fato seja normalizada a enorme diversidade de tamanhos que moldam o corpo. O ideal para conviver bem consigo e com os outros, é entender o conselho da psicóloga: “viver não tem receita.”


