OPINIÃO

Nota de conjuntura da semana

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Estados Unidos e China têm intensificado uma verdadeira disputa que envolve, em grande medida, o campo da inteligência internacional. Recentemente, o próprio Departamento de Estado Americano acusou abertamente a China de estar espionando os avanços das principais pesquisas envolvendo o coronavírus nos Estados Unidos, com a invasão de hackers chineses. Nesse cenário delicado, ainda resta o acordo comercial entre os dois países que paralisou desde o início deste ano. Soma-se a isso, a clara estratégia americana em tentar barrar o avanço da tecnologia chinesa do 5G, que tem potencial de influenciar as cadeias produtivas mundiais, visto que a tecnologia é decisiva para o setor industrial. Assim, o Brasil navega em águas perigosas. No futuro breve deverá fazer uma escolha no seu leilão do 5G, entre as tecnologias americana ou chinesa. Em que pese o desenlace das eleições americanas ainda ser uma incógnita.



Rio Grande do Sul

A China é um dos principais parceiros comerciais do Rio Grande do Sul (RS), representando cerca de 32% das exportações do Estado, até o momento. O cenário da pandemia puxou para baixo, drasticamente, as exportações gaúchas. Se comparado com o período de janeiro a junho de 2019: queda de 26% nas exportações e 23% nas importações. Essa variação negativa não foi observada nem no período da crise financeira, em 2008. Os principais parceiros de exportação do RS no período, foram: China (32%), Estados Unidos (8,3%), Argentina (5,5%) e Bélgica (2,9%). Os produtos exportados que lideram são: a soja, o tabaco, carnes e aves. Das importações: Argentina (18%), Estados Unidos (13%), China (13%) e Nigéria (5,7%) [Dados do Ministério da Economia]. Muito do retorno aos patamares anteriores à crise do Covid-19 depende também, do futuro das relações comerciais e políticas do Brasil com a China, cujo elemento chave é justamente o posicionamento americano.



Passo Fundo em alta nas exportações

O município está em segundo no ranking de exportações do RS. Os dados surpreendem. Mesmo em meio à crise, Passo Fundo quase repete o seu último recorde de exportações, em outubro de 2019. Entre janeiro e junho de 2020, comparado com o ano anterior, a variação positiva é de quase 95% nas exportações. Nas importações a variação é negativa, na ordem de 30%. O município está em 33º lugar no ranking de exportações, entre todos os municípios do Brasil, que são cerca de 5.570. A China representa 87% de participação nas exportações do município. Soja e milho lideram como os produtos mais exportados. Conta, ainda, com os parceiros: Taiwan, Turquia e Coreia do Sul, como principais destinos. Nas importações, os principais parceiros são: Argentina (70%), China (11%), Chile (7%) e Estados Unidos (2,4%) [Dados do Ministério da Economia]. A soja é o que ainda mantém certo otimismo no panorama das exportações gaúchas. Passo Fundo é uma das principais, se não a principal locomotiva. A variação da exportação da soja do município, no período de janeiro a junho de 2020 foi positiva, na ordem de 147%.



Mercados internacionais

Na interação internacional de Passo Fundo, tomam destaque como elementos que necessitam um acompanhamento próximo: a relação Brasil-China e a Argentina, que tem participação, até o momento, de 70% das importações do município. As manifestações dúbias da Argentina em relação ao Mercosul merecem observação. Já a relação Brasil-China e o futuro dela, a depender do posicionamento dos Estados Unidos nesse tripé, ainda depende de uma variável importante: o resultado das eleições vindouras em novembro deste ano.


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