OPINIÃO

Teclando - 16/09/2020

Pôr do sol

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· 2 min de leitura
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Pôr do sol

Nessa época do ano, dias que antecedem o equinócio da primavera, o céu permite as mais fantásticas nuances. Ao entardecer, então, o espetáculo é deslumbrante e bate saudades do maravilhoso pôr do sol visto lá no Quintino! Mas, por enquanto, permaneço encarcerado pela lógica do bom senso. Pois nesta quarentena, a minha sacadinha ganha ares de varandão. É dali que observo o ocaso do astro rei. Há duas semanas, ele despencava bem ao lado do Redondão. Mas, agora, está caindo cada dia mais à esquerda. Esquerda?! Ora, seria por causa de um forte movimento comunista? Quem estaria por trás disso? Russos, chineses ou cubanos? Chego a essa conclusão, porque no momento em que observo, o sol pinta o horizonte de vermelho. Vermelho?! Ah, com certeza, aposto que os comunistas já detêm o controle-remoto do movimento de transição e, obviamente, estão colocando a Terra em deriva para bombordo.

Parece paranoia da minha parte, mas pelo que escuto por aí, já voltamos à Guerra Fria. Isso atiça a minha memória lá para os anos 1960, época em que ouvia muito sobre coisas assombrosas ou grandiosas: os comunistas e a Transbrasiliana. Sessenta anos depois, parece que nada mudou. Os comunistas continuam assombrando, enquanto o asfalto da Transbrasiliana está chegando. A diferença é que, agora, além da posição do planeta, o céu está opaco tomado pela fumaça das queimadas no Centro-Oeste. O espetáculo ainda é o mesmo, pois a natureza não é afetada pelas assombrações. E, para não dizer que nada mudou, tiraram o hífen do pôr do sol. Sei lá, mas se não foram os comunistas, foi a Lua quem roubou.

No rádio sem ondas

Sempre fui ligado em rádio e antigamente o meu rádio estava sempre ligado. Já montei imensas antenas de ondas curtas para ouvir a Guaíba em 49 metros e a Jornal do Brasil em 60 metros. Entre chiados e descargas, o som tinha altos e baixos e achávamos uma maravilha. Pois bem. Chega de saudades (já ouvi isso em algum lugar). A onda de agora são as web rádios. Sim, o rádio migrou para a internet. O primeiro salto foi do Rafinha, que carregou o fantasmedo para a Ghost Rádio. O Tyaraju de Moura está com a New Ways e o Bardo Ricardo Pacheco proseia na Quero-Quero. Agora, a novidade é do Ivandro D'Avila com a sua Total Classic, que flutua na faixa AC (adult contemporary). Vou conferir, pois o estilo assanha as minhas válvulas.

Do excelente ao péssimo

O excelente das eleições é a democracia. O bom nas eleições é o exercício do nosso arbítrio diante do conjunto que integramos. O ruim nas eleições, na média, são os candidatos. O insuportável nas eleições é o exagero da campanha nas ruas. Mas, de fato, o péssimo das eleições pode ser o resultado.

Zé Pacheco

Esses dias deu baixa o Zé Pacheco. O cara era a materialização do binômio paz e amor. Até parecia que ele estava voltando a pé de Woodstock. Bela figura, com quem me cruzava e trocava ideias lá pelo Batatas. Então, em bate-papo com o Gerson Lopes, disse que o Zé era da ala hippie do Batatas. Aí, então, pensei nas tribos que por lá perambulam: intelectual, das antigas, piração, perdidos na nuvem, tiro ao prato, cabeça no som, copo sem fim, estranho no ninho e muitas outras. Difícil classificar, pois rotular é tarefa para máquina de engarrafar cerveja.

Iracélio

Cada dia mais exigente, Iracélio agora só toma Brahma Duplo Malte. E refuga todas as outras. No Oásis, o Léo teve que mudar toda a logística das geladeiras só para atender às exigências do Turcão Iracélio. E a cada gole ele ergue o copo e diz “a Duplo Malte é um néctar produzido pelas abelhas cevadeiras”. Um brinde, Iracélio.

Trilha sonora

Imagine, durante um cruzeiro, um show com Carly Simon - Moonlight Serenade


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