OPINIÃO

Casas: uma tendência ou uma febre passageira?

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Uma tendência é como se fosse um ponto de luz cujo brilho acaba atraindo um determinado público em sua direção. Diferentemente das “febres” que podem durar dias ou no máximo algumas semanas, as tendências começam pequenas e vão ganhando força conforme o mercado vai percebendo as oportunidades no meio do caminho. No segmento imobiliário, ocorre da mesma maneira. Todos os anos apontamos tendências baseadas em sinais que, mesmo pequenos, já se mostram fortes o suficiente para transformar o modo como vendemos ou alugamos imóveis. 

O aumento na procura por casas começou exatamente assim, com a vontade de mudar para um espaço maior e mais adequado às novas necessidades que surgiram com a pandemia. As casas, que antes eram buscadas por famílias maiores, geralmente com mais de um filho, hoje ocupam o primeiro lugar na lista de qualquer pessoa que simplesmente deseja viver com mais espaço e liberdade. Ao contrário do que estávamos acostumados, a preferência já não segue uma faixa-etária ou um momento específico da vida. Para casais jovens, sem filhos, um pátio com espaço para os cachorros brincarem ao ar livre já é motivo forte o suficiente para optar por esse tipo de residência.

Assim como outras tendências do mercado imobiliário, o aumento na procura por casas tem motivações econômicas e sociais. A pandemia proporcionou uma experiência inédita de confinamento que até então era inimaginável para a maioria das pessoas. A privação da liberdade foi suficiente para provocar uma reflexão imediata sobre o lugar onde moramos. Conciliar home office, aulas remotas e lazer em poucos metros privativos de um apartamento foi um grande desafio para muitas famílias. Quem não conseguiu adaptar o espaço que havia disponível e já estava preparado financeiramente, conseguiu recorrer ao mercado imobiliário na busca por melhores opções. Felizmente o momento nunca foi tão oportuno para a aquisição de imóveis. As menores taxas de juros já registradas, a grande disponibilidade de crédito e, consequentemente, um poder de compra ainda maior, formaram um cenário muito acolhedor para as novas e urgentes demandas do consumidor.

O resultado da crescente busca por casas está cada vez mais evidente. Em geral, percebo que o estoque, que já era mais restrito em relação aos apartamentos, está ainda menor. Casas de três dormitórios, de médio e alto padrão, em terrenos com boa metragem, em bairros residenciais mais próximos do Centro são as mais procuradas no momento. A demanda é tão grande que casas nesse perfil são vendidas ou alugadas em poucos dias, muitas vezes sem sequer serem anunciadas. Casas em condomínio seguem o mesmo caminho, principalmente pela segurança e opções de lazer que proporcionam, porém, devido às poucas opções que temos na cidade, quando encontradas, são consideradas verdadeiros achados!

Outro derivado dessa crescente preferência são os terrenos, incluindo terrenos em condomínio fechado. Esses são buscados por famílias que não têm tanta urgência em mudar e que preferem construir a própria moradia, assim como por investidores mais atentos que já perceberam as oportunidades da nova tendência. Quem tem a oportunidade de investir no futuro da própria família ou mesmo no seu patrimônio sabe que terrenos são uma ótima opção.

Por isso acredito que a busca por casas está longe de ser uma febre passageira. É uma tendência bastante consolidada que quando incorporada por empresas do segmento imobiliário promete mudar ainda mais o estoque de opções e o perfil das cidades. 

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