OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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El Salvador é o primeiro país do mundo a adotar formalmente uma criptomoeda como o Bitcoin (BTC) em sua economia. A tomada de decisão se deu pelo presidente do país, Nayib Bukele. Bukele assumiu a presidência em 2019 e possui forte aprovação popular. Jovem e sem filiações passadas às maiores agremiações políticas do país, ele chamou a atenção quando expulsou a diplomacia venezuelana, logo que assumiu o poder. Na semana que passou o líder chamou a atenção mais uma vez, com o anúncio de que o Bitcoin será adotado oficialmente como moeda, mantendo-se, contudo, uma economia dolarizada (moeda oficial do país). Hoje, todas as transações comerciais no país são feitas com o dólar. Aos poucos, os compradores e vendedores poderão começar a utilizar o Bitcoin, mas pesquisas recentes apontam que a população ainda desconfia da moeda ou não sabe como utilizá-la. O governo começou a instalar cerca de 200 terminais para que a população possa converter dólares em bitcoins. A estratégia de Bukele busca trazer milhões de indivíduos não bancarizados ao sistema financeiro do país, ao mesmo tempo em que visa reduzir os custos de transferências internacionais, uma vez que as remessas de salvadorenhos no estrangeiro (principalmente nos EUA) ao país, representam cerca de 25% do PIB.

 

Olhares atentos 

Outros países da região estão atentos aos movimentos do jovem presidente salvadorenho, no passo em que as remessas reduzam os seus custos de transação, a estratégia poderia ser bem-vinda em países com dependência de remessas estrangeiras como Honduras e Guatemala. Atualmente, as remessas internacionais em criptomoedas representam apenas 1%, logo, os países irão esperar para ver os resultados práticos de El Salvador. Se realmente o Bitcoin reduzir os custos de transação e as remessas internacionais optarem pela nova moeda, a economia salvadorenha poderia se beneficiar, levando-se em conta ainda, que a medida poderá atrair investimentos do estrangeiro. De outro lado, a relativa volatilidade das criptomoedas nos mercados internacionais apresenta um risco considerável. Outra questão é a inexistência de uma regulação internacional sobre a matéria e a possibilidade de se aumentar a lavagem de dinheiro com as criptomoedas.

 

Consequências geopolíticas 

A decisão de Bukele poderia ser uma manobra para inverter a dependência absoluta do dólar no país. As criptomoedas levantam uma série de questões, uma vez que pode ser considerada como uma revolução monetária, com riscos geopolíticos a serem considerados. Muitos países latino-americanos possuem uma relação não tão amistosa com o dólar americano. Algumas economias dolarizadas como o Equador e o Panamá dependem da moeda para as suas políticas públicas. Para os EUA o bitcoin não é uma ameaça, já que parte considerável do investimento em criptomoedas é americano. A tomada de decisão de Bukele certamente produzirá efeitos geopolíticos, enquanto os observadores ficam atentos aos reais impactos da adoção do Bitcoin. 

 

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