OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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O 11 de setembro de 2001 foi uma grande ruptura nas relações internacionais. O mundo se libertava da ameaça soviética, com a queda do Muro de Berlim, e a década de 1990 iniciava com a emergência da globalização e uma relativa estabilidade na política internacional. O atentado às Torres Gêmeas e ao Pentágono mudaram completamente o cenário. Um grupo terrorista, um ator não estatal, conseguiu modificar a agenda internacional das duas décadas que seguiram. Inaugurou-se uma guerra assimétrica global, de um lado o Ocidente e os países soberanos e democráticos, do outro a Al-Qaeda, terroristas espalhados em células. Não demorou para que os EUA lançassem a famigerada “Doutrina Bush”, que dava conta do enfrentamento ao terror global. Os americanos esperavam uma resposta e à época dos atentados, massivamente, apoiavam uma intervenção no Afeganistão. A Doutrina Bush trazia um elemento novo, a guerra preventiva, que mirava além das ameaças concretas aos EUA, advindas do Oriente Médio, também as ameaças indiretas, como o Iraque e o Irã – conhecidos como o “Eixo do Mal”.

 

A evolução do terrorismo 

O terrorismo global passou nas últimas décadas por uma mudança significativa. O advento do fenômeno digital permitiu um novo modus operandi aos grupos terroristas, que passaram a usar as mídias sociais e a internet para angariar interessados à ideologia jihadista global. Isso possibilitou que dos grandes atentados, que foram restringidos durante o tempo com robustas e fortalecidas ações de inteligência e segurança nacional, novos e pequenos ataques foram perpetrados, inclusive por nativos americanos que se aproximaram do terrorismo global pela internet. Depois da intervenção no Afeganistão em 2001, veio a vez do Iraque. Na sequência dos acontecimentos, os próximos anos foram cruciais para a criação de novos grupos terroristas, como o Estado Islâmico, que reivindica um califado global, entre outros.

 

O terrorismo global pode voltar? 

A retirada caótica das tropas americanas do Afeganistão, liderada pelo presidente Joe Biden, traz uma série de preocupações sobre a possibilidade de uma reativação de forças terroristas, que agora possuem o Afeganistão como território, no que poderá vir a ser o santuário de um novo terrorismo global. Mesmo que Biden considere que o terrorismo não é mais uma ameaça aos EUA, a sua retirada impensada poderá favorecer uma nova dor-de-cabeça geopolítica ao Ocidente. O Talibã certamente precisará da ajuda de outros grupos terroristas para ganhar as porções territoriais afegãs. Como vimos, o Estado Islâmico-K também começou a reativar as suas operações (inclusive durante a retirada das tropas). Soma-se a tudo isso, a incógnita do Irã, financiador histórico de movimentos terroristas. Os líderes iranianos abandonaram a possibilidade de um acordo nuclear com as potências ocidentais e adotaram uma narrativa perigosa contra os EUA. A posição do Irã será fulcral para esta janela de oportunidade para a reativação do terrorismo. 

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