OPINIÃO

O cientista que combateu o bom combate, terminou a corrida, guardou a fé e fez por merecer a coroa de reconhecimento

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Henrique Pereira dos Santos (HPS), o cientista referência quando o tema é Experimentos Agrícolas de Longa Duração em Sistema Plantio Direto no Brasil, morreu em Passo Fundo no dia 7 de novembro de 2021. Estava com 77 anos e sucumbiu às sequelas deixadas por um AVC hemorrágico que o havia acometido em julho deste ano. Foi um homem que, a exemplo dos sábios, primou pela humildade, não obstante ter sido Magna Cum Laude (literalmente, Com Grandes Honras), ao ter obtido a terceira colocação, entre os 108 estudantes de Agronomia que colaram grau na turma de 1973, pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

HPS era natural de Santana do Livramento. Nasceu em 15 de julho de 1944. Filho do barbeiro Vasco Munhos dos Santos e da Sra. Aracy Pereira dos Santos. Estudou na antiga Escola Agrotécnica Federal de Alegrete, cumprindo formação básica de “mestre rural” e parcial de “técnico em agropecuária”, cujo curso, com o fechamento da “Agrotécnica de Alegrete”, em 1965, concluiria pelo Patronato Agrícola Visconde de São Leopoldo.

Em 1968, HPS foi trabalhar na Prefeitura Municipal de Candelária. Prestou serviço àquela municipalidade entre 1/07/1968 e 21/03/1970. Nessa cidade conheceu a técnica em contabilidade Clarice Adeli Koepp, com quem se casaria anos depois. Ingressou como estudante de Agronomia da UFPel em 1970. Transferiu domicílio para Pelotas. Casou-se com Clarice em 1972, e, em 1973, nasceu a filha Alice Cristina. Apesar de casado, e, no período de estudante, trabalhar na Cooperativa Regional Sudeste de Pelotas (20/12/72 a 14/03/1974), estava sempre disponível para ajudar os colegas. Formado pela UFPel, na turma de 1973, o seu alto desempenho como estudante assegurou indicação para os quadros da recém criada Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Na Embrapa, HPS ingressaria em 15 de março de 1974. Iniciou treinamento em Cruz das Almas, BA, depois teve passagem pelo Centro do Cerrado, em Planaltina, DF, até que, em outubro de 1974, aterrissou em Passo Fundo, onde viveria pelo resto dos tempos.

Na Embrapa, cumpriu formação de mestrado (Fitotecnia pela UFRGS, 1978-1980) e doutorado (Agronomia pela USP/ESALQ, 1990-1993). Fixado em Passo Fundo, onde nasceria a segunda filha, Araci, em 1981, o nome HPS ficaria, umbilicalmente, ligado aos chamados experimentos de longa duração, envolvendo manejo de solo, rotação de culturas e integração lavoura e pecuária. HPS foi colaborador, e goza desse reconhecimento, do experimento instalado em 1978 em Guarapuava, PR, além de ter sido o responsável pelos experimentos de Passo Fundo (iniciados em 1980, 1986 e 1993), que ora ainda são conduzidos. Desses ensaios saíram as atuais indicações de rotação de culturas, base do controle de doenças radiculares em cereais de inverno, além de terem subsidiado, com dados, as análises econômicas e de sustentabilidade sobre manejo de solo, sistemas de produção e emissão de gases de efeito estufa.

Mais além da referência Santos et al., cujo CV da Plataforma Lattes indica uma produção de 204 artigos em periódicos científicos, 84 capítulos e 20 livros publicados, além de resumos em anais de congressos contados em centenas, havia um ser humano diferenciado. Havia o homem zeloso com a família, esposa e filhas, cuja primeira preocupação, em viagens, era ligar para Clarice e dizer que estava bem. Havia o colega atencioso, que mantinha o costume de cumprimentar pessoalmente os aniversariantes do dia. Havia o pesquisador que acolhia os colegas iniciantes na sua linha de trabalho, franqueando dados e estando aberto para aceitar novos membros na equipe. Havia o orientador paciente com os estagiários. Havia um ser humano singular!

E assim, no dia 7 de novembro de 2021, com a discrição que lhe era peculiar, Henrique Pereira dos Santos deixou esse mundo e foi, como ele acreditava, habitar outro plano.

Além da esposa Clarice Adeli, deixa as filhas Alice Cristina e Araci, e o genro Márcio Leandro. Requiescat in pace, Dr. HPS!

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