Barulheira
Vivemos uma época ruidosa e, aqui, literalmente barulhenta. Há culpados, coniventes, desleixados, cúmplices e omissos em relação à barulheira. Mas, com certeza, a principal culpada disso tudo é a falta de educação. Na mesma proporção da sua grossura, está a quantia de desagradáveis decibéis gerados por uma pessoa. Isso fica comprovado pelo tipo de ruído que produzem, geralmente com sonoridades de péssimo gosto que sequer podem ser rotuladas como músicas. E dá-lhe som nas surradas caixas, já com os cones dos alto-falantes soltos. Não lembro de ter ouvido alguém detonando o som com música erudita, um rock apurado ou um clássico da MBP. É só porcaria mesmo! O pior de tudo é que os motoristas do barulho se acham os tais e desfilam como se estivessem agradando. São verdadeiros malandros a pilha, bobalhões desajustados pela falta de educação.
Podem ser classificados como sem noção, pois param nas sinaleiras com o bate-estacas bombando e, assim, agridem quem está nos veículos próximos ou nas calçadas. E, não bastasse esse expediente normal, fazem hora extra nas madrugadas acordando incautos que insistem em repousar em suas camas. Mas, como desgraça pouca é bobagem, os mal-educados do som automotivo ganham a companhia dos carros de som cotidianos. Além disso, ainda temos os carros do circo que transformaram a Avenida Brasil num picadeiro onde nós somos os palhaços. Ah, nem só de alto-falantes vivem os pseudos malandros. Alguns optaram pela reverberação dos motores a explosão. Queimam combustível para transformar os escapamentos em berrantes. No mínimo, um comportamento sugestivo. E, ainda, temos a turma das motos. Então, já que fiscalizar pode ser antipático, alguém poderia orientar esse bando de desorientados. Nossos machucados ouvidos agradecem!
Oásis entre decibéis
Em meio ao barulho, encontramos uma porta para a quietude. É no Ministério Público, onde está a 1ª Promotoria de Justiça Especializada de Passo Fundo, focada nos crimes ambientais onde inclui-se o barulho. O promotor, Dr. Paulo Cirne, realiza um notável trabalho no elo Ministério Público-sociedade. As denúncias sobre irregularidades são apuradas e, pelos caminhos necessários, quase todas solucionadas. Tenho conhecimento de uma situação onde, além do resultado positivo, a Promotoria ainda consultou o interessado sobre a solução do caso. Ou seja, em simples analogia, podemos classificar o gesto como uma atitude pós-venda. Então, diante da barulheira, saibam que o cidadão tem o resguardo do Ministério Público. E com um atendimento exemplar. Basta acioná-lo.
Serigne
Além dos táxis, também utilizo um aplicativo para viagens urbanas. Na maioria o motorista que me conduz é o Serigne. Discreto, no início o senegalês pouco abria a boca. Mas logo ficamos amigos e agora conversamos muito. Aproveito para lapidar o meu grotesco francês e, ao me despedir, digo au revoir e ele repica com bonsoir. Falamos sobre costumes e traçamos paralelos entre Brasil e Senegal. No sábado, Serigne (pronúncia é Serí) foi vítima de um assalto e baleado. Passou por cirurgia e estaria bem. Os amigos, na maioria senegaleses, contribuíram na Vakinha que em menos de 24 horas atingiu a meta, enquanto os motoristas realizaram manifestações. O que ocorreu com o amigo Serigne serve para duas constatações. A boa é a união dos imigrantes, um exemplo de conduta social. A ruim são os assaltos, que já vitimaram muitos taxistas, e agora chegam aos motoristas de aplicativos.
Iemanjá
Hoje é dia de Nossa Senhora dos Navegantes. É Iemanjá para o Batuque, outras religiões afro e Umbanda. De acordo com o Pai Magno, Mãe Iemanjá é a Deusa das Águas, dona dos pensamentos e do equilíbrio. Vou homenageá-la com flores azuis e brancas. Omio Odô.
Trilha sonora
Foreigner - Waiting For A Girl Like You

