Vaga-lumes e smartphones
Que fim levaram os vaga-lumes que encantavam a criançada nos campos e nas cidades? Certamente, poucos dentre os mais jovens sabem o que é um vaga-lume. E raros enxergaram os fascinantes insetos luminosos. As pequenas criaturas estão entre as mais simpáticas da natureza. E, obviamente, mágicas. Também conhecidos como pirilampos, coloriam com luz verde-amarelada as pequenas áreas verdes urbanas. Alguns, em formato de besouro, tinham uma luz contínua. Eram mais raros e velozes.
Já os menores, produziam uma luz intermitente e eram capturados com muita facilidade. Então a criançada colocava os bichinhos em potes de vidro que, assim, serviam como uma lanterna. Jogo-rápido, logo o pote era aberto e eles voam livres novamente. Outra brincadeira era correr atrás das lindas luzes que riscavam nosso ambiente. Diversão de meninas e meninos. Ao piscar dos insetos, os sorrisos eram de ingênuos romances junto à natureza. Parece que os vaga-lumes não piscam mais. Acredito que há mais de 40 anos não encontro um deles voando por aí.
Sim, estão em extinção. Além do aquecimento global, desmatamentos e agrotóxicos, os cientistas também apontam como causa o aumento da iluminação artificial. E, ao que parece, poucos estão preocupados com os queridos e singelos vaga-lumes. Hoje, suas luzes nas mãos das crianças foram substituídas pelas dos smartphones. Há mais ‘intéresses’, como diria o Brizola, pelos equipamentos eletrônicos do que com a natureza.
Então, cabe avaliar o que é mais saudável para uma criança: brincar com vaga-lumes ou repassar mensagens em um aparelhinho? Os celulares permitem quase tudo e, assim, tornam-se um perigo incontrolável. São, na verdade, até deformadores de caráter. Pior ainda. Servem como instrumentos da desinformação e custam uma fortuna. Já os queridos vaga-lumes, um presente da natureza, apenas encantam. E, também, são instrumentos que brilham e piscam para chamar a atenção pela natureza. Como faz falta a luz de um pirilampo.
Aeroporto I
Vira, mexe e remexe e o Aeroporto de Passo Fundo não avança. Não falo de estação de passageiros, estacionamento, acesso, sinal de internet, alimentação etc. Falo do principal: a pista e sua (péssima) localização. Pois bem, agora, em nova tentativa de pseudo privatização, está claro que muito dinheiro sairá dos cofres públicos. E os investimentos já foram definidos: terminal de passageiros, estacionamento e “reforma” da pista. Ora, pelo predomínio do vento de través, vem de 350º e a pista está no eixo 90º - 270º, o mínimo que deve ser feito é o alargamento da pista para 45 metros. Mas, oficialmente, ninguém fala nisso.
Aeroporto II
Não tenho conhecimento de quais os critérios utilizados para definir as prioridades nos investimentos. Mas, certamente, não têm o crivo de quem mais entende: os aviadores. Sim, quem opera na pista são pilotos. Ora, com certeza conhecem muito mais do que políticos ou entidades fora do segmento. A única entidade que deveria ser ouvida é o Aeroclube de Passo Fundo, que forma pilotos. Enquanto dão ouvidos aos neófitos, bem que poderiam conversar com o pessoal da aviação executiva que opera no SBPF. Já em relação aos futuros gestores do Lauro Kortz, a AFA não perdoa e já traça um riscado sobre as probabilidades. Acho que não haverá surpresas.
Aeroporto III
Enquanto insistem com um aeródromo em local inadequado, pela altitude e sentido do vento, os voos para Porto Alegre sumiram do painel do Aeroporto de Passo Fundo. Para tentar explicar os motivos é necessário trazer à memória as operações que já existiram. Dos DC-3 nos anos 1950 aos Boeing 737-500 nos anos 2010, são condições de mercado muito distintas. As últimas operações foram da Azul, com o ATR-72. Porém, asa alta e vento de través não combinam muito. Além disso, há o risco de o turboélice ficar fora da malha por causa da neblina etc. Talvez a chance seja repetir a operação da Rio-Sul, que fazia São Paulo-Passo Fundo-Porto Alegre ida e volta. Quem sabe?
Pastelaria
Aumentou o fedor da pastelaria aqui embaixo. Será que a turma da Vigilância Ambiental não passa pela Avenida Brasil?
Centenário
Até parece piada. O Nacional está com 100 anos e 55 dias e Passo Fundo não tem voos para Porto Alegre.
Trilha sonora
Secos e Molhados - O Vira

