OPINIÃO

Conjuntura Internacional

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

O recente encontro entre duas grandes lideranças, de um lado Trump, democraticamente eleito e, do outro, Putin, um líder de mentalidade soviética, que comanda uma ditadura deprimente. Enquanto cumprimentavam-se, pelos ares e com som estrondoso, desfilavam um B2 Spirit (com a bomba antibunker utilizada no Irã, parceiro russo), bem como os F-35, última geração de caças, em termos mundiais, em um exercício orquestrado para a demonstração de força militar americana, lembrando também que o PIB da Rússia é, talvez, apenas o de algum dos 50 Estados americanos. Da reunião, nada concreto. Ainda há muitas partes envolvidas a serem consultadas, até que um acordo minimamente vinculativo possa ser devidamente assinado. A parte mais relevante no conflito é justamente a que sofre a agressão, no caso a Ucrânia. A preocupação de Zelensky é com as garantias de segurança nas fronteiras com a Rússia. O encontro entre Putin e Trump ocorreu devido às prometidas sanções econômicas mais duras contra o regime, logo, Putin não possui interesse na paz, sequer em um cessar-fogo.

Garantias

Trump quer celeridade neste cessar-fogo, para garantir a sua imagem de mediador da paz, assim como recentemente fez com Azerbaijão e Armênia, de forma histórica, com um dos líderes sugerindo inclusive um Nobel da Paz a Trump. Entre as diversas pautas da reunião de Trump e Putin, acredito que o caminho inicial oferecido por Trump, mesmo que precário, seria o da concessão dos territórios invadidos pela Rússia, locais onde inclusive estão uma das maiores reservas de terras raras. Creio que outros assuntos tenham sido incluídos, como a questão iraniana, por exemplo. A questão das garantias, tanto de segurança como outras, é a mais dificultosa nas conversações sobre cessar-fogo, basta analisar a história.

Ganhando tempo

No retorno a Moscou, Putin sugeriu inclusive um encontro na Rússia, certamente para ganhar tempo. Há uma pressão para que a próxima reunião seja trilateral, dado os interesses de todas as partes, enquanto Trump dialoga com a União Europeia e, principalmente, a OTAN, que firmou a compra de armas americanas para o uso da Ucrânia. A ideia central de Putin é ganhar tempo, enquanto se apresenta como um possível interessado na paz.

Narrativas

Não demorou para que as narrativas surgissem. Sergei Lavrov já comunicou que Zelensky e a Europa estão a minar os esforços dos EUA. Para o Chanceler, existem causas “mais profundas” para a guerra ilegal da Rússia contra a Ucrânia. Já Trump também não é assertivo, apenas dizendo que o encontro foi produtivo, sem entrar em detalhes.

Canários

Líderes fazem gestos mais simbólicos do que práticos, em termos diplomáticos. Existem muitas variáveis em jogo. Trump acaba de firmar um acordo histórico com a Europa, envolvendo bilhões em investimentos, e existe a questão da compra de armas pela OTAN, o que apoiaria Zelensky no campo de batalha. Enquanto esta coluna é fechada, aparentemente um prédio de uma empresa americana teria sido atingido por um ataque russo, deixando 15 feridos. Os dias passam e o cessar-fogo parece distante, enquanto a paz, impossível. Há mais gestos simbólicos do que pragmatismo ou compromissos verdadeiros entre líderes internacionais.

Gostou? Compartilhe