O mundo atravessa dilemas complexos, uma geopolítica intrincada e uma economia incerta. Nesses momentos, novas ideias de desenvolvimento são necessárias para que países, estados e até mesmo municípios possam, a partir de uma visão internacional, substituir as crises por oportunidades. Assim, os países mais desenvolvidos têm demonstrado que estratégias de desenvolvimento horizontais, que levam em conta as regiões produtivas e suas vocações regionais em termos de produtos, serviços, economia, patrimônio, turismo etc. Assim, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) criou uma metodologia de atratividade regional, cujo objetivo central é o tripé de atração de investimentos, visitantes e talentos a partir de quatro conexões internacionais: negócios, infraestrutura, pessoas e conhecimentos. Recentemente, começamos a desenvolver a sensibilização da aludida metodologia a partir da Serra Gaúcha e de seus principais municípios, um desafio que certamente provoca o desenvolvimento a partir de uma governança enxuta, que pode tanto ser adotada por uma região desenvolvida como por uma cidade que tenha interesse em criar estratégias internacionais, inclusive antecipatórias. O tarifaço de Trump, por exemplo, tomou de surpresa uma série de municípios que sequer conheciam a sua balança comercial, estando despreparados para lidar com a questão, não a da legislação alfandegária e retaliação econômica, mas principalmente com a instalação de gabinetes de crise e diversificação de mercados.
As quatro conexões
A conexão de negócios engloba o conhecimento da balança comercial de um país, Estado ou município, representando as exportações/importações. Além disso, a conexão de negócios avalia a entrada do Investimento Externo Direto (IED). A de infraestrutura tenta captar tanto a física como a digital, além de portos, aeroportos, ferrovias e entroncamentos logísticos. A conexão de pessoas avalia o fluxo de visitantes (turistas) e talentos, bem como de estudantes internacionais. Já a conexão de conhecimento avalia basicamente os indicadores de transferência de tecnologia, patentes e artigos em coautoria.
A Serra Gaúcha
A Serra Gaúcha, de janeiro a julho de 2025, representou praticamente 10% das exportações do Rio Grande do Sul em termos de negócios. Na questão da infraestrutura ainda pesa a questão do Porto em Arroio do Sal. O município teria condições de se tornar um hub logístico em termos de terminal de cargas. No aspecto de pessoas, há um forte componente turístico na região, com grandes eventos típicos, culturais e religiosos e um incipiente turismo de negócios. No aspecto do conhecimento, uma boa representação educacional superior, com transferência de tecnologia, potencial do grafeno e um ecossistema de inovação emergente. As questões mais importantes para alavancar a atratividade da região seriam a criação de estratégias internacionais pelos municípios ou em modo de governança ampla, a criação de marcas-cidades ou até mesmo de local branding. A metodologia da OCDE mostra que a Serra Gaúcha possui ativos claros para se tornar um polo de atração de investimentos, talentos e visitantes. No entanto, gargalos estruturais e estratégicos ainda limitam o potencial global.


