O Dia de Finados convida para olhar a realidade da morte e da vida eterna. Duas
realidades repletas de muitas perguntas, sofrimentos, dúvidas, medos e crenças. O cristão vive
a morte e a vida eterna a partir do que Jesus Cristo ensinou. A liturgia de finados celebra os
elementos essenciais sobre o assunto, através dos textos bíblicos (Jó 19,1.23-27; Salmo 22, 1
Coríntios 15,20-28; Lucas 12,35-40), das preces e ritos. Na oração da coleta da missa se reza:
“Ó Deus, glória dos fiéis e vida dos justos, que nos remistes pela morte e ressurreição do
vosso Filho, concedei benigno aos nossos irmãos e irmãs defuntos que, tendo acreditado no
mistério da nossa ressurreição, mereçam, alcançar as alegrias da bem-aventurança eterna”.
O prefácio da liturgia eucarística faz a profissão de fé de como deve ser vivida a morte
e esperada a vida eterna, em forma de prece de louvor: “Nele (em Deus) brilha para nós a
esperança da feliz ressurreição; e se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a
promessa da futura imortalidade. Senhor, para os que creem em vós a vida não é tirada, mas
transformada e, desfeita esta morada terrestre, nos é dada uma habitação eterna no céu”.
A fé não nega a realidade da morte corporal. Ela é uma vivência única e irrepetível de
todos os seres humanos. A morte faz parte do viver e não somente no fim, mas, considerando
bem a cada momento. Ela se apresenta de forma hostil e contrária ao desejo de viver sempre e
feliz. A fé convida a assumir a condição mortal e tratar temas ligados a ela, como por
exemplo, falar com mais frequência, encaminhar a destinação dos bens, expressar desejos
referente ao funeral. É um tema que não podemos remover da consciência, por mais
resistências que tenhamos.
Finados convida a visitar os cemitérios, pois é um lugar que está em meio a nossas
casas. Visitar faz bem a quem visita e a quem é visitado. Ir ao encontro da sepultura do ente
querido é como ir visitá-lo para lhe manifestar, mais uma vez, o nosso carinho, para recordar
fatos marcantes da vida, recordar gostos, ensinamentos. É também um ato de fé, pois os
cristãos, na profissão de fé, afirmam que creem “na comunhão dos santos”. O vínculo estreito
continua a existir entre os que caminham nesta terra com os que os precederam na eternidade.
A visita e a oração pelos falecidos se tornam uma oração de intercessão pelo juízo divino.
Pedimos que Deus os julgue com justiça e misericórdia.
O sofrimento da morte corporal, as angústias e as incertezas encontram em Jesus
Cristo respostas que vão além da capacidade humana, abrindo para imortalidade. Ao malfeitor
crucificado ao seu lado, Jesus diz: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc
23,43). Diante da dúvida de Tomé para onde Jesus estava indo, responde: “Não se perturbe o
vosso coração! Credes em Deus, crede em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se
não fosse assim, eu vos teria dito, porque vou preparar-vos um lugar. E depois que eu tiver
ido preparar-vos um lugar voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais
vós também” (Jo 14,1-3). Cristo é morto na cruz, mas ressuscita. Quando se encontra com
Maria Madalena e a outra Maria, após a ressurreição, diz: “Alegrai-vos!” “Não tenhais
medo”.(Mt 289-10).
Em Jesus ressuscitado está depositada a esperança cristã. Esta verdade é recitada na
Profissão de Fé a cada domingo. Visitando os cemitérios para rezar com afeto e com amor
pelos defuntos, somos convidados, mais uma vez, a renovar com coragem e com força a nossa
fé na vida eterna. Viver com esta grande esperança e testemunhá-la no mundo é afirmar que a
morte não leva ao nada, mas à outra forma de vida. E é precisamente a fé na vida eterna que
confere ao cristão a coragem de amar ainda mais intensamente a nossa terra e de trabalhar
para lhe construir um futuro, para lhe dar uma esperança verdadeira e segura.

