Tijolos abandonados
A paisagem é a moldura de nossas vidas. Adoro paisagens, pois, em movimento ou estáticas, permitem a visão de quem tem os olhos do mundo. Basicamente é pintada ou esculpida pela natureza. Porém, além de natural, pode ser antrópica quando tem toque de dedos humanos. Nesse caso, mesmo sem instrumento e partitura, pincel e paleta, papel e caneta, é uma paisagem cultural. Sim, pode ser uma choupana no campo ou um arranha-céus. Pela restrição territorial, minha paisagem fica limitada para o lado sul da Avenida Brasil. Não posso me queixar, pois tenho quase 180º de céu para contemplar.
E não é moldura estática, porque as nuvens e as aves trazem a sensação de filme em movimento. O cenário é a natureza em plano de fundo para um imponente traço que, tijolo por tijolo, foi erguido com arrojo e muito suor. O encantamento flui da chaminé da Brahma. Sim, apesar do formato, chaminé é uma palavra feminina. Em caso de dúvidas, perguntem à querida Professora Tânia Rösing. Chaminé também é cultura, lembra um amigo apaixonado pela França ao citar ‘les cheminées de Paris’.
Mas, voltando ao duto em questão, nossa chaminé parece-me um tanto abandonada. Há alguns anos, não acendem mais sua iluminação. Nem mesmo aquela obrigatória luz vermelha no topo, que nada tem a ver com a luz vermelha da Top. Os tijolos já não lembram mais a argila queimada da época, um sintoma de que a estrutura requer cuidados paliativos da engenharia. A chaminé da Brahma é um símbolo de Passo Fundo. Eis meu receio. Tem uma turma por aí que usa táticas subversivas. Uma delas é deixar em ruínas, alegar riscos e depois derrubar. Aliás, aqui no Passinho, parece-me que o verbo derrubar foi substituído por ‘suprimir’.
Enfim, não importam métodos, alegações e nem mesmo supostas ou possíveis contrapartidas. É necessário fazer reparos, acender as luzes e cuidar com carinho da chaminé que transformou cevada em cremoso Chopp da Brahma. Mirem-se em bons exemplos. É o caso ou case (para deslumbrados servis) do Solar do Glória, preservado pelo Danilo e, agora, iluminado pela Marcolina. É paisagem preservada e com novo encanto. A cidade agradece. É contundente exemplo à chaminé que padece!
Analogia urbana
Em Erechim, lá pelos anos 1940/50, a Rua Bahia foi interrompida para propiciar uma espécie de emenda para o colégio das freiras. Bahia de um lado, Minas de outro. Assim, quando cheguei para alegrar a humanidade, a parte onde desembarquei já era Rua Minas Gerais. Houve, de fato, uma intervenção que deformou o traçado de uma cidade planejada. E assim está até hoje. Na mais lógica analogia, entre a rua de Erechim e a Paissandu em Passo Fundo, observo que algo semelhante, independente de alguma compensação no presente, significa dor-de-cabeça no futuro. Lá, o pedacinho que deram às freirinhas nunca mais será uma rua novamente. Aqui, obstruirá um binário para sempre.
UNA
Sem tarifaço ou Magnitsky, Cristiano Basso esteve nos States e voltou de lá com troféu. A UNA Construtora foi premiada com a International Property Award, um selo de excelência da indústria imobiliária. O prêmio foi obtido pelo empreendimento Pinot Noir, mais uma cepa do terroir dos parreirais de concreto da Vila Rodrigues. Importante conquista de uma empresa passo-fundense, lá na terra dos vinhos californianos. Um brinde ao Cris e ao Studio Ronaldo Rezende Arquitetura. Agora, além do prédio mais alto do Rio Grande do Sul, Passo Fundo também ostenta o título do Residential High-Rise Development. Chique!
Fernando
Sim, ele voltou. E, como de costume, minha vida infernizou. A coluna de Fernando de Castro, publicada no final de semana, obteve ótima repercussão. Também adorei. Mas prefiro não elogiar muito, pois conheço a índole da sua pena. De largada, já pegou pesado comigo. Tudo bem, bom cabrito não berra. Mas, por favor, vai com calma Fernandinho. Abração!
Grazziotin
Acredito que há 40 anos ou mais, dezembro é o mês do Trenzinho de Natal da Grazziotin. Este ano surgiram genéricos barulhentos e que até atrapalham o trânsito. São carretas e ônibus caça-níqueis. Já o Trenzinho da Grazziotin é, de fato, o genuíno passeio de Natal em Passo Fundo. E é de graça! Isso, sim, é um presente de Natal à comunidade.
Pastelaria
A querida Luciane Dornelles, que veio de Novo Hamburgo, conferiu o fedor da pastelaria aqui embaixo. A pastelaria já está famosa.
Centenário
Além dos cem anos e 167 dias, O Nacional tem uma tradição que sequer merece o olhar de emergentes e/ou oportunistas.
Trilha sonora
Hugo Montenegro - Tomorrow's Love

