Saco cheio
O Natal é, de fato, um saco cheio de mistérios. Um complexo enigma que não fica restrito à curiosidade em relação àquilo que Papai Noel carrega no saco. A primeira dúvida é sobre a existência do próprio Noel, um dogma para o antes e o depois da revelação de um grande segredo. O paradigma divide a infância da pré-adolescência. A grande descoberta traz consequências que oscilam entre a sensação de maturidade e a imensurável decepção. O que, portanto, também enche o saco.
Crianças não são bobas e, mesmo enquanto crédulas, acionam o desconfiômetro para as incertezas que vêm lá da Lapônia. Seria Papai Noel um papai de verdade? Os mais espertinhos apostam que não, pois o saco é de brinquedo. Com essa e outras, persiste a encheção de saco natalina. Então, largando um pouco o saco do Papai Noel, olhamos ao céu para saber se tem teto para o pouso do trenó do bom velhinho. Com ou sem PAPI! Aí a encheção complica ainda mais, pois, ao invés de jatos ou hélices, o trenó é movido por renas.
Para dar um nó no saco mental, as renas são ruminantes e parentes distantes das vacas. Por aqui, no pecuaríssimo Rio Grande, sabemos muito bem que vaca não voa! O desafio à gravidade fica gravíssimo quando observamos que, ao invés de asas, as renas têm galhadas – um lindo eufemismo para as guampas. E o saco das encheções natalinas não para por aí. Para piorar a incógnita na equação do mais badalado aniversário do planeta, a festa é bi-hemisférica.
O pinheirinho europeu e a neve artificial em dezembro são, com dizem os portenhos, ‘para romper las pelotas’. Isso, é claro, também pode significar a fragilidade das bolas que enfeitam as árvores e os arranjos natalinos. Outro mistério é o sempre intrigante recheio do peru. Acho bom parar por aqui, pois meus pensamentos natalinos estão recheados de rimas. Ricas, pobres e paupérrimas.
Feliz Natal!
Sambah! no Batatas
Quinta-feira da semana passada, o Grupo Sambah! agitou a noite do Batatas. O samba encaixou naturalmente no templo do rock, colocando na cadência tradicionais frequentadores. Para dar conta da demanda, até a Ivone Maravilha foi requisitada para reforço na cozinha. Zé Tendeu multiplicou a habitual quilometragem. Com palco improvisado embaixo da escada, Paulinho Saggiorato, Alfredo Castaman, Odorico Ribeiro, Xoxo Colavin e Flávio Ribeiro comandaram o espetáculo. E teve bônus, quando Ronaldo Saggiorato empunhou o baixo. Já na finaleira, ele não resistiu a batida da lendária ‘O Ronco da Cuíca’, de João Bosco e Aldir Blanc, pegou as baquetas e deu vida à marcação na caixa. Enfim, com talentos reunidos não tem erro.
Bolacha na parede
O Batatas valoriza os músicos de Passo Fundo. E, certamente, um dos que mais subiu ao Menor Palco do Mundo© é Carlos Bolacha. Recentemente, O Nacional publicou uma matéria falando sobre seu trabalho, uma história entre o violão clássico e a guitarra. Pois, agora, literalmente o Bolacha está grudado na parede do Batatas. A página de ON virou quadro e já está afixada. É que por lá turma também valoriza a imprensa da cidade e, assim, uma das paredes já está tapada com publicações de O Nacional. Valeu, Gringo e Elias. Agora, temos Bolacha na boca e aos olhos do povo.
Aves e panetones
Os italianos panetones chegaram devagarinho e foram tomando conta das festas de final de ano. Já são praticamente obrigatórios no Natal e Ano Novo. Há poucos anos, ficavam nas prateleiras somente até fevereiro. Depois sumiam. Agora, fazem parte do cotidiano e estão disponíveis o ano todo. Já com o velho peru, que na verdade é uma perua, e os frangos gigantes de várias marcas a situação é inversa. Até há alguns anos, permaneciam disponíveis durante todo ano. Mas, nos últimos tempos, vão embora junto com Noel.
Pastelaria
Sem novidades.
Centenário
Cem anos e 188 dias e estamos na véspera do Natal. Para quem não quer enxergar, por essas bandas apenas Papai Noel está na mídia há mais tempo do que nós.
Trilha sonora
Human Nature - White Christmas

