De palco em palco, tocando a vida com a guitarra

Carlos Bolacha vai do violão clássico ao rock, passa pelo samba e ama o blues

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Carlos Bolacha: “a vivência é uma parte do cachê” - Foto – Diogo Zanatta – Especial-ONCarlos Bolacha: “a vivência é uma parte do cachê” - Foto – Diogo Zanatta – Especial-ON
Carlos Bolacha: “a vivência é uma parte do cachê” - Foto – Diogo Zanatta – Especial-ON
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 Nos bares da vida, um cara discreto aparece ao palco empunhando uma guitarra. E não são poucos bares e muito menos poucas vezes. Carlos Bolacha até parece onipresente. “Toda essa movimentação, a correria, me deixa mais vivo. É um exercício que me dá vida. A vivência é uma parte do cachê”. Essa vivência é múltipla, um revezamento de bandas, músicos, repertórios, ambientes e gêneros musicais. Figura carimbada? Bem mais do que isso, Carlos Bolacha agrega o respeito dos colegas, a admiração do público e, obviamente, seu invejável talento.

Um violão abandonado

Carlos Potiguar Weydmann Filho desembarcou no palco da existência em Passo Fundo, há 49 anos. Casado com Eliana Bortolon, é pai da Ana Clara e do Pedro. Sua família curtia música e, certamente, influenciou o menino. Mas em casa ninguém tocava. Havia um violão desprezado pelo irmão. “Me deu um estalo e falei para a mãe que ia aprender. Adolescente, 12 ou 13 anos, tinha aulas de violão no Menino Jesus. Era repetitivo, só exercícios e quase desisti. Conversei com o professor Neri Ribeiro e aí deu uma virada”. E a veia artística? “Meu avô paterno, Felisberto, conhecido como França, era músico amador e tocava nas rádios”. DNA desvendado!

Um pacote de bolachas

A banda em aventura na praia, músicos em início de carreira e sem grana. “Tinha onde dormir, mas a comida cada um se virava com pizza, pastel... Então comprei um pacote de bolachas. Na madrugada eles devoraram minhas bolachas e fiquei sem. Aí começaram a pegar no pé, Bolacha, Bolacha. E ficou o Bolacha”. Apelido desvendado!

Um começo de bandas

Lá pelos 18 anos, Bolacha tocou com novos amigos. “Com Adriano Mosquito e Paulo Moco formamos o Rabo de Peixe, a primeira banda”. A onda roqueira teve ápice com a Beatles-Stones Cover que, logo, virou Malvados Azuis. Com Beto Bruno, Jerônimo Bocudo, Maurício Chaise e Hélio Ribeiro, detonaram muito rock nos espaços underground da região. “Beto e Jerônimo em Porto Alegre e nós aqui. Vai e vem, então ficou difícil. Estávamos montando a Cachorro Grande, mas acabei desistindo. Já dava aula, então fiquei aqui”. Começo desvendado!

Um bacharel clássico

“Resolvi estudar de verdade, fui para a UPF e estudei violão clássico de 2000 a 2004, por sugestão do Rodrigo Nassif. Foi da água para o vinho. Não toquei em banda. Era só violão, Baden Powell, Paco de Lucía. Dei aula na Sonata. Então veio um novo projeto o Opus Trio, Rodrigo Bira no sax, Cascão na bateria e eu no violão. Bossa nova, música brasileira e a gente tocava em formaturas e jantares. Me formei e dava aulas”. Graduação desvendada!

Um retorno ao rock

“Na nova fase veio o Jukebox, com André Zito na bateria e Alcemar Pitágoras no baixo. A banda segue até hoje. Depois teve o Reino Elétron com Elias Duarte, Bruno Philippsen, Hélio Ribeiro e Leonardo Marmitt. Essas e outras bandas que aparecem. É necessário preencher a agenda”. Novas formações com Roger Abreu, André Zitto, Melisse Delavy e incontáveis parceiros. Afinal, foram quantas bandas? “Não tem como saber”. Mistério não desvendado!

Um lar no palco

De palco em palco lá vai Carlos Bolacha. “Até novembro, sexta e sábado está tudo fechado. Sobra apenas alguma quinta e algo em dezembro.” Isso significa muitos palcos por onde já subiu. “Mais vezes foi no Batatas, King Size, O’Vallenguer, Porão, Toca do Ratão, Babel, Siri Cascudo, Maktub, Felini, Abrigo Nuclear, S/A e tantos outros. Hoje, digo que o Batatas é quase a minha segunda casa”. Cada formação tem um repertório diferente. “São no mínimo dois ensaios com 30 músicas cada”. Palcos parcialmente desvendados!

Um som puro

Guitarra ou violão? “Amo violão, mas meu instrumento é a guitarra. Sou tipo camaleão para me adaptar a vários tipos de som. Só toco na minha Stratocaster, a mesma do Jimi Hendrix, que é meu professor. Quanto mais simples, melhor. Cordas comuns e quase não uso o pedal. Gosto do som puro, o som da guitarra, não do amplificador e, então, eu uso dois amplificadores valvulados”. Bolacha vai de base ou solo? “Os dois. Tem que fazer a base e solar”. Instrumento desvendado!

Um trabalho polivalente

Carlos Bolacha flutua do rock ao erudito. “Meu estilo é o blues”. Mas, o blues não tem limites. “Tem que misturar. Toco no Alforria, com o Odorico, Seu Lopes e aquela turma do samba raiz. E vou de guitarra, eles acham legal”. Do palco ao estúdio é um arpejo. “Gravei com os Malvados, depois com Reino Elétron e Rabo de Peixe. Participei de gravações com muitos artistas. E também gravei um trabalho individual, todo instrumental, o Carlos Bolacha Volume I”. Estilos desvendados!


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