Do totem ao Toninho
Enquanto o amigo Lauro Röesler não fica 48 horas sem um hambúrguer, eu aprecio esporadicamente. Domingo, fui ao McDonalds e parei em frente ao caixa de atendimento. Alguns minutos, informaram que deveria ir ao totem. Então, falei que preferia ser atendido pessoalmente. Responderam que a única opção era o totem.
Achei um desrespeito. Mesmo assim, fui para frente da maquininha. De cara, a dúvida se o tal totem seria Inca, Maia ou Asteca? Em seguida, senti-me como um idiota do totemismo de pastagem orando para um pneu. Além disso, estava exposto e acabei flagrado em explícita traição ao nosso Boka. Sim, o Pablo do Bokinha passou bem na hora e, ainda, perguntou sobre minha relação com o totem.
Jogo-rápido e devorei o lanche. Aliás, a linha Brabo do Méqui, de fato, tem um pão excelente. Ao sair, vi que o atendimento humano estava normalizado. Desconfio em algum tipo de retaliação republicana de um dos Donalds ou seria nóia minha?
Odeio transacionar com máquinas. Bem melhor, é o olho na careca do Dani e discutir os detalhes do lanche. Ele ajuda e ainda complementa: “sem alface”.
Ora, se o comércio internacional é em duas vias, está mais do que na hora de o Boka ingressar no mercado norte-americano. Seria uma contrapartida, lanche por lanche. Então, os irmãos Davi, Beto e Luã, podem apostar no sucesso do Boka USA. Com o X-Bokão como carro-chefe não tem erro. Outro lanche que vai cair no gosto dos norte-americanos é o Maracanã, pois carrega brasilidade e futebol no próprio nome. “Wow, Brazil. Wonderful steak with bread”, dirão os novos clientes.
Ao invés do Totem, o Boka USA poderá humanizar o atendimento com o Toninho. O único risco seria a truculência do ICE não entender seu fluente inglês. Mas, se der ruim, basta acionar o Mattevi. Ele não é cônsul! (Cônsul era o Aldo Alessandri). Ele é o representante direto de Trump abaixo da linha do Equador. Resolvido.
Enquanto isso, se por aqui me obrigarem ir ao totem mais uma vez, o Boka pode seguir os padrões atuais da política internacional norte-americana: retaliar. Basta tarifar o Bokão Filé para os yankees e estamos quites.
Orelha em pé I
Fico de orelha em pé quando, supostamente, adolescentes são apontados como autores de crimes em Santa Catarina. Parece que há uma conduta pregressa das autoridades, uma espécie de código protecionista para essas situações. Não para proteger vítimas. Bem ao contrário, para proteger e acobertar os filhos de pessoas influentes e/ou endinheiradas.
Foi assim em 2010, quando dois adolescentes estupraram uma menina de 13 anos em Florianópolis. Um era filho do diretor de uma empresa de comunicações e o outro filho de um delegado. Acompanhei o caso. Conversei com a mãe da vítima. O que escutei é repugnante. À época, um dos monstrinhos foi para os Estados Unidos. Sete anos depois, esteve envolvido em atropelamento com morte.
Orelha em pé II
Agora, no caso do cão Orelha, também teve viagem aos Estados Unidos. Mais intrigante, é o fato de a Justiça mandar remover postagens que identifiquem os quatro supostos criminosos. Será que essa também seria a conduta se os envolvidos fossem moradores de rua? No litoral catarinense, aposto que não. Há, sim, uma barreira à consciência de classe nessas ocasiões.
Já intrínseco, o pensamento coletivo regional permite e conduz a esse tipo de protecionismo. Da segregação socioespacial nas praias aos escândalos políticos, surge o suporte para a impunidade. É quando a materialização da prepotência engole a dignidade humana. Há uma espécie de respaldo à impunidade nas areias de Santa Catarina.
O Coelhinho
Quando o calendário não nos atropela, nós atropelamos o tempo. Lá pelo dia 20 de janeiro, detectei as primeiras pegadas do Coelhinho da Páscoa. Foi no Zaffari do Bella, onde instalaram a primeira parreira de ovos de chocolate de 2026. Isso significa que a Páscoa é logo ali. Mas, desta vez, foi muito rápido. Bem antes do sumiço de cerejas naturais, panetones e aves natalinas, os ovos já estavam pendurados nos corredores.
Ainda ao som de Jingle Bells e desejando feliz 2026, já estamos de olho no ninho da Páscoa. É bom lembrar que, antes, ainda teremos o Carnaval. A Páscoa é lá em abril. Mas, como diz a lenda, o Coelhinho é rapidinho. Não dá para bobear.
Centenário
O Centenário de O Nacional foi há 230 dias. Daqui a 135 dias chega a 101 anos. E, falta de vergonha na cara, ainda tem “palmo e meio” pedindo publicação 0800.
Pastelaria
A pastelaria aqui embaixo ainda não instalou o necessário sistema para tratamento de efluentes gasosos. Até quando?
Trilha sonora
Grace Jones - La Vie En Rose

