Unesul
Na vida carregamos marcas físicas, psicossociais e as marcas comerciais que encontramos pelo caminho. Dentre essas, algumas até ingressam na nossa biografia. São aquelas marcas com as quais convivemos muito tempo, admiramos e nos tornamos fãs.
Um exemplo, que foi do orgulho à tristeza, é a Varig. Não existe mais, porém nunca evaporou da memória de quem voou em suas asas ou apenas viu um dos seus aviões. Lojas, bares e restaurantes desaparecem. Ficam histórias e até sabores na memória. Já no mundo corporativo há uma espécie de antropofagia empresarial: uma engole a outra. Um exemplo são os chocolates, que até dariam uma fantástica margem de lucros aos franqueados.
As marcas passam de mãos em mãos e nem sabemos mais a quem pertencem. Entre fusões e incorporações, minhas marcas preferidas desapareceram das prateleiras. Isso vale para cerveja, sabonete e o atualíssimo detergente. Business is business.
Agora, se foi a Unesul ao ser incorporada pela Planalto e Ouro e Prata. A empresa surgiu na região, formada pela Unetral (Erechim) e Sulina de Transportes (Passo Fundo). Nasci a duas quadras da sede da Unetral. Portanto, os ônibus alaranjados me acompanham desde antes de a empresa virar Unesul. Esta semana, a Unesul acabou. Sequer consigo imaginar as estações rodoviárias sem seus ônibus. Ora, a Unesul rodava há mais de 60 anos. Some-se a isso, quase 20 anos da Unetral.
A Unesul é mais uma marca que desaparece. Vai para a mesma prateleira da Varig, tomando uma Pilsen Extra da Antártica de olho na vitrine da JH Santos. Ou à mesa, saboreando um parmegiana da Cantina Nápoli elaborado com Extrato de Tomate Elefante da Cica. Sobremesa, uma torta da Tia Vina. Após a saborosa refeição nostálgica, não esqueça de escovar os dentes com Kolynos.
Fora da plataforma
Terça-feira, neblina e confusão no Aeroporto Lauro Kortz. Como todos sabem muito bem, com 2.376 pés de altitude, nessa época a pista amanhece dentro das nuvens. Portanto, os cancelamentos são previsíveis: um voo alternou Porto Alegre e outro foi cancelado. Entram em cena os ônibus para levar os passageiros para Porto Alegre. Ou melhor, não conseguem entrar. Ocorre que os carros de aplicativos e outros tomam conta do espaço, não permitindo que os ônibus cheguem ao local. E não é só isso. A turma dos aplicativos fica no terminal arrebatando passageiros. Ora, pelo que sei, só poderiam aceitar passageiros quando chamados pelas plataformas. Além da ilegalidade, também é uma chatice, um incômodo e um desrespeito. Quem fiscaliza? Excesso de altitude, falta de atitude.
Tânia Rösing
Semana passada, recebi uma ligação da querida professora Dr. Tânia Rösing. Que alegria conversar com ela, sempre atenta às páginas de O Nacional e com as antenas em amplitude internacional. Tânia está em Porto Alegre onde, acredito, está em fase final de um pós-doutorado. Falamos sobre e de Passo Fundo, pois nosso papo sempre rende muito. Em poucos minutos, desfolhamos a pauta com direito a boas gargalhadas. Desta vez, Tânia não fez correções gramaticais aos meus escritos. Queria apenas o contato do Fernando de Castro. Enviei. Agora, fico imaginado o diálogo dessas duas figuras especiais. Ah, com certeza, rolaram poucas e boas. Beijos, queridos!
Seleção
A badaladíssima convocação da Seleção Brasileira foi do futebol ao ridículo. A badalação borbulhou da mídia impulsionada pelos patrocinadores. Imaginem o espaço ocupado pelos comentários sobre o tema entre domingo e quarta-feira? Discussões com foco no menino que, ao que parece, nunca cresce. Futebol é bom, Copa do Mundo é importante. Mas, mais uma vez, a Seleção parece que tem dono. Isso fica indisfarçável pelos privilégios explícitos e até com hora marcada. Tudo bem, o mercado dá as ordens. Bem distantes do futebol, surgem os aproveitadores. Do futebol ao ridículo, teve até político pegando carona na convocação. Sim, os aproveitadores vestindo a Canarinho saltitaram como gazelas pelas redes sociais. Bola murcha!
Centenário
O Centenário de O Nacional foi há 335 dias. Portanto, faltam 30 dias para os 101 anos. Enquanto isso, fora do tempo, os alto-falantes continuam infernizando nas portas de algumas lojas.
Pastelaria
Tarde dessas, um enorme caminhão bitrem carregado com gado bovino atravessou a Avenida Brasil de ponta a ponta. Parou aqui em frente. O perfume da pastagem pastada tomou conta do ambiente. Assim, por bons minutos, sequer senti o fedor da pastelaria aqui embaixo.
Trilha sonora
Guido Renzi – Tanto Cara


