OPINIÃO

Teclando - 15/07/2026

Fora dos trilhos

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Fora dos trilhos

Aqui por Passo Fundo, ao que parece, andamos muito fora dos trilhos. Não temos trem hoje, poucos pensamos no trem de amanhã e sequer preservamos a memória do trem de ontem. Uma condição irônica para uma cidade que obteve na ferrovia seu primeiro grande salto econômico.

Aqui, a Casa do Engenheiro-chefe – onde residia o chefe da Estação Ferroviária, é caso vergonhoso. Abandonada, invadida e parcialmente incendiada, agora está em ruínas. Uma sequência que, pela lógica dos últimos registros similares, aponta para a demolição.

Pois, lá por Santa Catarina, a Justiça Federal engatou o vagão da lógica na composição da preservação. Sentença proferida pela 2ª Vara Federal de Chapecó, determina a restauração e preservação da Casa de Pernoite da Estação Ferroviária Uruguai, em Piratuba. A juíza Heloisa Menegotto Pozenato considerou que “a Constituição Federal impõe ao Poder Público o dever de promover e proteger o patrimônio cultural brasileiro por meio de formas adequadas de acautelamento e preservação”. Interessantíssimo!

Também colocou que para bens ferroviários oriundos da extinta RFFSA, a legislação atribui ao Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a administração, guarda e manutenção de “espaços vinculados à memória ferroviária”. Opa. Se para Piratuba existe a memória ferroviária, como fica Passo Fundo? Santa Catarina e Rio Grande do Sul seguem a mesma legislação federal.

Curiosamente, a primeira ligação entre os dois estados foi pelos trilhos na ponte sobre o Rio Pelotas, em Marcelino Ramos, onde começa o Rio Uruguai. Sim, é a mesma linha férrea que passa por Passo Fundo. Trecho do famoso Trem Internacional, que ligava São Paulo a Montevidéu.

Piratuba tem 5.700 habitantes, enquanto Passo Fundo conta com 214.000. Em Piratuba vão preservar. E por aqui?

Sem trilhos

O transporte ferroviário permanece inoperante em Passo Fundo. O trecho ferroviário entre Santa Maria e Marcelino Ramos está desativado. Faz falta, pois uma composição férrea pode transportar mais do que 100 caminhões. Além disso, a outra ferrovia que chega a Passo Fundo está paralisada há mais de dois anos. É a Ferrovia do Trigo, aquela mesma que um dia nos propiciou viajar a Porto Alegre pelo Trem Húngaro. Após a enchente de 2024, um trecho com mais de 18km entre Muçum e Vespasiano Corrêa está interrompido. A estrada foi privatizada, mas, a empresa detentora do trecho não resolveu o problema. Provavelmente, há cláusulas que eximem da responsabilidade a iniciativa privada em casos de enchentes. É interessante lembrar que existem privatizações e privatizações. Portanto, quem está arrumando o trecho é a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. Sem trem, produtos de Passo Fundo, especialmente o biodiesel, enfrentam um custo maior ao utilizar o transporte rodoviário.

Pelos trilhos

Se para alguns o trem é coisa do passado, para outros é o futuro. Na Europa, o modal está em expansão e constante modernização. Além de enormes composições cargueiras, o transporte de passageiros é realizado em trens de alta velocidade. É uma pena que não tenhamos um olhar mais carinhoso pelo transporte ferroviário. De superfície ou subterrâneo. Imaginem algumas linhas, por cima ou por baixo, ligando os extremos de Passo Fundo? Há mais de dez anos, o empresário Renato Miranda me disse que sonhava com algo assim, aproveitando o relevo da cidade. Ora, se Passo Fundo é a cidade do futuro, já está na hora de pensar em algo semelhante ao Trensurb. E, por que não, transporte de passageiros para Porto Alegre? Nosso consolo é que a Estrela ainda fabrica o Ferrorama.

Trem de pouso

Do Ferrorama aos aeromodelos, sonhamos com o melhor em transportes. No próximo dia 27, a ON8 Concessões deve assumir o Aeroporto Lauro Kortz. A maior expectativa é em relação à ampliação da largura da pista. Porém, de imediato, o foco da empresa liderada por Erasmo Battistella deve visar o conforto dos passageiros. Menos chuva na cabeça, menos motoristas plaqueteiros no saguão e maior facilidade para estacionar. A aviação executiva será tratada com o maior carinho. A ON8 ainda não divulgou detalhes sobre o que fará de imediato. Mas, com certeza, teremos boas novidades na proa.

Fernando

Na coluna “Réquiem para um beijo”, Fernando de Castro beijou o teclado. Deu a volta ao mundo e debulhou o tempo de milênios. Tudo isso para contar sobre a história do beijo. E, de lambuja (ou seria lambida?), apontou porque a Grécia é o berço da tragédia e do pensamento. Crônica imperdível! (AQUI)

Pastelaria

Enquanto continua o fedor da pastelaria aqui embaixo, as infernais bicicletas motorizadas passam a mil pela Avenida.

Trilha sonora

Peppino di Capri - Un Grande Amore e Niente Più


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