Um título audacioso e uma epígrafe instigante são argumentos mais do que suficientes para motivar alguém como eu a iniciar a leitura de um livro. A obra em questão, nesse caso, é “A fonte que se esqueceu de si – Uma teoria da consciência, da experiência e do que somos”, de Jaìr A. Paùlétto, especialmente pela pretensão do subtítulo e pelo uso como epígrafe da clássica assertiva de São João da Cruz, “para chegar ao que não sabes, deves ir pelo caminho que não conheces”.
Antecipo que é um livro de conteúdo muito diferente do meu habitual cardápio de leitura. Não sei como classificar a obra. Seguindo a ficha catalográfica, constam: Espiritismo? Filosofia? Metafísica? Ocultismo? Parapsicologia? Não aparece, na ficha, mas, autoajuda, no bom sentido, também poderia constar. Talvez, um pouco de cada uma dessas classificações. Cada leitor, com certeza, vai pegar o quinhão que mais lhe apraz.
Mas, como esse livro chegou até as minhas mãos se não é o tipo de obra que eu costumo buscar? Foi por obra e graça de um amável convite das irmãs Cavalheiro – Magda, Mara, Naira e Maete – para participar de uma sessão de lançamento do livro do Jaìr Paùlétto, que iria acontecer, no dia 24 de julho, às 19h, no Néctar de Luz Espaço Terapêutico, em Passo Fundo. Quando a Magda, antes e no dia do lançamento, me mandou mensagens perguntando se eu iria, não hesitei responder sim. E grata surpresa! A amabilidade dos anfitriões, Jaìr e Taddy, com os convidados, o ambiente de fraternidade entre os presentes e, acima de tudo, pela fala do autor sobre o livro que havia escrito, deram o tom de uma noite que se antecipava espiritualizada e impecavelmente organizada.
Jaìr Paùlétto inicia o livro deixando claro que o conteúdo não é nenhuma tese que pretende defender, mas um caminho que percorreu e convida os leitores a fazer o mesmo. Não há conclusões impostas, mas emergências derivadas do uso da razão. Explora imagens simples (o prédio, o andar, o elevador...) por julgar que uma obviedade somente vira óbvia depois de entendida.
A busca do entendimento de como a realidade funciona e como você se insere nela e se percebe em categorias como “alma”, “conjunto de neurônios” ou em algo nebuloso, que chamamos de “consciência” e, honestamente, não sabemos definir. E uma quarta opção, que Paùlétto espera que você chegue ao embarcar na viagem que o livro pretende proporcionar, por meio de perguntas cujas respostas levam a outras perguntas. Inclusive a sair do dilema religioso, que, em vez de atribuir tudo à criação de Deus, dando margem à indagação “quem criou Deus” ou aceitar “Deus como o ser que não pode não existir”, questionar “o que Deus é em sua natureza?” Perguntar não de onde veio tudo, mas por que o que existe, existe na forma que existe, e o que isso diz sobre o que você é? Perceba que você é parte do que está sendo perguntado.
A partir do capítulo 3, quando começa a elaboração conceitual de Fonte e de como você é Fonte experienciando você, eu não classificaria como leitura de fácil entendimento. Inclusive, quando tenta definir o que é a morte. Ou de como a realidade funciona. Mas, a imagem de um prédio de 100 andares se presta bem à intenção do autor. A vista do térreo e a vista do 50° andar. Este último não sabe o que é ter um jardim embaixo da janela, enquanto o primeiro não tem a amplitude da visão que o segundo tem. E quem os conecta é o elevador. Resume Paùlétto: “o prédio inteiro é o que você é. O andar onde você mora é onde você está. E o elevador – que nunca foi cortado, apenas, na maioria das vezes, com o corredor mais difícil de encontrar do que deveria ser – é o que este livro está tentando ajudar você a localizar”. Ou seja, que a leitura do livro lhe traga a percepção do prédio que você é, resumia o autor nos autógrafos apostos na folha de rosto.
No protocolo de apresentação, Jaìr A. Paùlétto foi caracterizado como escritor, cronista e poeta, autor de obras anteriores como “Imenso Amor Intenso” e “O Singular do Plural”, entre outras. Além de economista de formação, com passagem pela Banrisul Corretora de Valores Mobiliários e Cambio S/A, como diretor presidente e presidente do conselho, tendo também atuado como perito financeiro na Advocacia Geral da União.
O uso de termos como fractais e a adjetivação de quântica, espalhados pelo livro, talvez, para a maioria dos mortais, pode trazer a falsa sensação de entendimento de algo que é mais complexo do que aparenta ser. Quem de nós tem clareza do que é a teoria da geometria dos fractais de Benoit B. Mandelbrot? Ou, quando diante, consegue identificar a equação diferencial parcial, chamada de “equação de Schrödinger”, que é o ponto de partida para todos os cálculos da mecânica quântica?
Há coisas muitos interessantes no livro de Jaìr A. Paùlétto. Encontre as suas. Eu fico com os conceitos de criação derivada e cocriação. Paùlétto lhe entregou o mapa. A caminhada da descoberta é com você.
SUGESTÃO DO COLUNISTA: O livro “El Niño Oscilação Sul – Clima, Vegetação e Agricultura” está disponível para download gratuito: https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1164333/el-nino-oscilacao-sul-clima-vegetacao-e-agricultura


