OPINIÃO

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO (2)

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Movimento antivacina

           Um exemplo típico de teoria da conspiração é o movimento antivacina, cujos defensores afirmam que governos, cientistas, médicos, empresas e a imprensa ocultariam “verdades” sobre as vacinas. Mesmo repetidamente desmentidas pela comunidade científica, essas narrativas insistem em alegar que vacinas causam autismo, alteram o DNA, servem para controle populacional, contêm substâncias tóxicas ocultas ou provocam as próprias doenças que deveriam prevenir. Entre as alegações mais absurdas é de que vacinas implantariam microchips para rastrear as pessoas. Isso é fisicamente impossível, já que microchips exigem energia, circuitos, antena e memória, tecnologias incompatíveis com uma seringa e com a passagem por um agulha fina.

Riscos dos movimentos antivacinas

O antivacinismo representa um risco real para a saúde pública. Quando a cobertura vacinal cai, doenças antes controladas — como sarampo e poliomielite — reaparecem, aumentando hospitalizações e mortes evitáveis. A imunidade coletiva enfraquece, deixando desprotegidas pessoas que não podem se vacinar por motivos médicos, e os sistemas de saúde ficam sobrecarregados. Além disso, os custos disparam: enquanto uma dose de vacina custa poucos reais, uma internação por sarampo pode chegar a milhares. A desinformação sobre vacinas, portanto, desencadeia problemas que seriam evitados com políticas de saúde baseadas em evidências e com confiança na ciência.

O dia que o negacionismo encontrou o sarampo

           A realidade acabou confrontando o discurso antivacina, mostrando novamente que a ciência precisa prevalecer sobre a ideologia. Os Estados Unidos enfrentam o maior surto de sarampo deste século: nos últimos dois anos, o país registrou mais casos do que em todo o restante do século 21. Em 2025, foram confirmados 2.289 casos; em apenas seis meses deste ano, o número já ultrapassou esse total, chegando a 2.371 infecções. O impacto recai sobretudo sobre crianças cujos pais foram expostos à desinformação sobre vacinas. O atual Secretário da Saúde do governo Trump, Robert F. Kennedy Jr., conhecido por críticas sem respaldo científico e por questionar a eficácia da vacina contra o sarampo, contribuiu para a queda na vacinação. Diante da escalada de casos, porém, recuou: em entrevista à CNN, afirmou que “os pais devem vacinar seus filhos contra o sarampo” e que “a vacina é eficaz e previne a doença”.

Analfabetismo científico

Niall Ferguson, historiador e escritor escocês, afirma que, apesar do avanço científico sem precedentes da humanidade, grande parte da população continua cientificamente analfabeta e, por isso, vulnerável ao pensamento mágico das redes sociais e às teorias da conspiração. Esse cenário, segundo ele, ajuda a explicar por que vacinas altamente eficazes e de risco mínimo — comprovadas pela experiência histórica — ainda são rejeitadas por cerca de um quinto dos americanos.

Quantas crianças precisam morrer para que você queira se vacinar?

Essa é a pergunta que faz Ana Fernandez-Sesma, diretora do Departamento de Microbiologia do Hospital Mount Sinai, ao refletir sobre a próxima pandemia e o desmonte científico nos EUA. Segundo ela, a pandemia de Covid foi politizada, o que alimentou a desconfiança em relação às vacinas — apesar de a alta qualidade de vida de que desfrutamos hoje depender, em grande parte, delas. Vacinar-se, afirma, é um pequeno sacrifício individual em benefício do coletivo. “Você não vai convencer os antivacinas”, diz, “mas quem está hesitante pode mudar de ideia. E há muitos arrogantes que fingem ser antivacinas, mas se vacinam em silêncio para manter a imagem. Quantas crianças precisam morrer para que você decida se vacinar?”

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