Das buzinas à soberania nacional
Ano de eleições é sempre um período diferente. Este ano, tivemos eleições gerais: deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. O amplo número de cargos deu maior amplitude à disputa. Além da importância da votação para a democracia, as escolhas têm significado nos rumos da Nação.
Acompanho eleições há mais de 50 anos e, com certeza, afirmo que esta foi a mais barulhenta. Nunca escutei tantas buzinas como agora, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Além das carreatas organizadas pelos partidos, a todo instante passavam alguns veículos fazendo muito barulho.
Se, agora, é forte a divisão entre duas correntes ideológicas, o quadro lembra o período ditatorial. Não havia eleições diretas para presidente e governador. A disputa era por vagas nas casas legislativas.
Nos moldes atuais, havia bolhas regionais bem definidas. Entre 1970 e 1978, o partido do governo garantia maioria no Nordeste, enquanto a oposição vencia no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Hoje, ocorre praticamente o mesmo, porém com posições ideológicas inversas.
Mas não podemos ficar apenas na ideologia, uma vez que as peculiaridades regionais pesam muito. Ou, ainda, as microrregionais, pois, dentro das grandes bolhas, há borbulhas antagônicas.
Enfim, o Brasil é um país de dimensões continentais, onde há múltiplas culturas e sotaques diferentes. Obviamente, os pensamentos são distintos, mas prevalece a maioria.
Os antagonismos, quando exercidos dentro das quatro linhas, permitem o aprimoramento da democracia. É na unidade de múltiplos pensamentos que se sustenta a soberania nacional.
Que venham as próximas eleições, com menos buzinas e sem foguetórios, para preservar a soberania dos meus ouvidos.
Ranço politiqueiro
Entre buzinas e bandeirolas, nas últimas semanas, as atenções foram absorvidas pela campanha eleitoral. Assim, deixamos de lado a própria realidade. Isso diz respeito, principalmente, àquilo que nos cerca e nos preocupa. Isso não ocorreu apenas pelos atos de campanha.
Esteve em nosso cotidiano, alterado pela euforia de alguns e pelas baboseiras de tantos outros. Pouco se falava sobre a cidade, seus personagens ou seus problemas. Até mesmo o futebol, pauta cotidiana no topo da lista, sucumbiu a um ranço politiqueiro insistente. Direta ou indiretamente, passamos por um sufoco com a conotação de patrulhamento. O debate foi abafado pelo tom prepotente da imposição ideológica.
Conduta democrática
Desde sempre, entendo que devemos respeitar a opinião dos outros, e a reciprocidade é indispensável. Isso é aquilo que conheço como democracia. Porém, além do respeito mútuo às ideias, há, ainda, outros fatores indispensáveis à boa convivência democrática. No debate de ideias, encontramos o diálogo, mensuramos propostas e buscamos o consenso. Isso tudo, obviamente, dentro da maior civilidade.
Porém, a civilidade deve estar atrelada ao civismo. Leia-se: o cumprimento das leis. Isso começa pelo respeito à lei maior: a Constituição, que não pode ser arranhada e jamais rasgada! Ah, é claro, a democracia exige a absorção e o respeito aos resultados eleitorais.
Velhas demandas
Depois das eleições, de volta às velhas demandas do cotidiano passo-fundense. Tenho preocupação com a preservação de pedaços da história de Passo Fundo. Então, não posso me esquecer da Casa do Engenheiro-Chefe da Ferroviária, a conhecida e judiada Casa Amarela.
Após dois incêndios, finalmente, teve as entradas fechadas. O prefeito solicitou esclarecimentos ao Ministério Público Federal, pois a área pertence à União. Mas ainda falta o tombamento como Patrimônio Histórico. Outra demanda é o prédio da extinguida CRT, na Chicuta. E, de quebra, a iluminação da icônica Chaminé da Brahma. O tempo passa e pode levar esses fragmentos da história.
Destaques
É grande a expectativa em relação ao Destaque Empresarial 2026. O evento é uma realização com o respaldo da credibilidade centenária de O Nacional. Será na noite do próximo 11 de novembro, no Salão Cristal do Clube Comercial, apresentando um retrato do empreendedorismo passo-fundense.
Pastelaria
Lá se foram dois turnos das eleições e persiste o fedor da pastelaria aqui embaixo. É um odor com predomínio de alho e notas de tomates refogados.
Trilha sonora
Queen - We Are The Champions

