Gerson Urguim/ON
Os seis homicídios ocorridos em Passo Fundo até agora tiveram de alguma forma, ligação com o tráfico ou consumo de drogas, especialmente o crack. Há cerca de dez anos, quando apareceu em Passo Fundo, o crack era considerada uma droga de uso exclusivo das camadas mais pobres e da periferia. Com o passar do tempo, este panorama foi mudando, atingindo todos os estratos da sociedade e segue causando problemas que parecem insolúveis. Como resultado deste poder de destruição que a droga possui, uma pequena amostra são os homicídios ocorridos no município em 2011. No ano passado, entre 70% e 80% dos assassinatos ocorridos no município tiveram alguma relação com o consumo ou tráfico de drogas.
Segundo o delegado titular da 2ª Delegacia de Polícia, Cláudio Edgar Trindade Belcamino, tanto o fato de as pessoas serem vítimas quanto de serem autoras deste tipo de crime, quando ligados ao tráfico ou consumo de drogas, são facilmente identificadas nos delitos. “As razões podem ser tanto a disputa de concorrentes no comércio da droga, seja pelo ponto ou pela venda em si, ou mesmo dívidas relacionadas ao consumo, pessoas que compraram a droga, não pagaram e foram executadas”, explicou.
Para Belcamino, em geral o perfil das pessoas mortas nestas situações é o mesmo. Pessoas jovens, às vezes adolescentes, com idades entre 20 e 30 anos e do sexo masculino. “A situação está tomando um rumo que, se não forem tomadas medidas urgentes, não apenas no combate ao consumo, mas também em relação à prevenção, as conseqüências poderão ser ainda mais graves”, disse.
O delegado defende a prevenção como uma forma eficaz de redução dos índices de consumo de drogas e por conseqüência, a diminuição dos índices de criminalidade. “Através de atividades esportivas, culturais, sociais voltadas aos jovens, promoção de cursos e oportunidades de trabalho para que eles possam ter o seu tempo preenchido”, assegurou. E acrescentou. “Vai chegar um momento em que haverá a necessidade de fazer investimentos altos, tanto na área da saúde, na área social e da educação e mesmo na própria segurança, para que tenhamos uma estrutura capaz de enfrentar este problema. De outra forma não vejo nenhuma perspectiva de solução”
Município disponibiliza poucos leitos para tratamento
Hoje, Passo Fundo possui poucos leitos para a internação e tratamento de dependentes químicos e as famílias desestruturadas contribuem para o avanço da dependência química. “Calculamos entre dois a três mil dependentes químicos em Passo Fundo. É um número muito maior do que os meios oferecidos para tratamento suportam. Quando a pessoa consegue o tratamento ela passa 30 ou 60 dias internada e afastada da droga. Ela retorna ao convívio da mesma família desestruturada, muitas vezes com problemas como alcoolismo, e passa a reeditar velhos hábitos, como voltar a conviver com as mesmas companhias de antes do tratamento, por exemplo”, afirmou o delegado.

