O total de policiais vítimas de homicídios em serviço e fora do horário do expediente é elevado no Brasil, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, promovido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2015, foram mortos 393 policiais. Proporcionalmente, os policiais brasileiros são três vezes mais assassinados fora do horário de trabalho do que no serviço: foram 103 mortos durante o expediente (crescimento de 30,4% em relação a 2014) e 290 fora (queda de 12,1% em relação a 2014), geralmente em situações de reação a roubo (latrocínio).
Os números de homicídios que assustam, somado ao parcelamento de salário dos policiais do Estado do RS e o confronto a criminalidade dão o tom da crise na segurança. Apesar do cenário, estes servidores são definidos como corajosos pelo ex-militar e policial francês Alexandre Vigier, mais conhecido como Esperenza. “Eu vi colegas policiais em Portugal, na França, na Espanha, mas aqui os colegas são corajosos. No Brasil é raríssimo ver uma região que não tem um homicídio por dia. Aqui, os policiais fazem como podem, respeitam as ordens e honram a palavra de juramento da academia de proteção às pessoas e a vida. Eu gosto da polícia daqui, porque a gente sabe que falta infraestrutura, mas eles vão lá e fazem o trabalho”, pondera.
Ele esteve em Passo Fundo, neste fim de semana, para aplicar o curso denominado Modern Police Tactical Shooting (MPTS), que são táticas de tiro para policiais. Ele, que é presidente da International Police Training Academy (IPTA), e sua equipe foram trazidos pela Associação dos Policiais Civis da Sexta Região (Apocser). Foram dois dias de treinamento, sábado (10) e domingo (11), na sede do clube de tiro. Nesses dois dias, os policiais civis receberam instruções europeias com pistolas. Elas consistiram em auxiliar na resolução de problemas com arma como panes, a rápida troca de cartucho em um confronto, posição de tiro, técnicas de defesa, algemas, entre outros.
“O problema do policial não muda. É igual da França, no Brasil, é o mesmo problema. Viatura ruim, equipamento antigo, falta de efetivo. Só que cada país tem seu problema em específico. Se tem um padrão americano aqui. No modelo europeu, se utiliza mais a técnica do contato, de imobilizar e algemar a pessoa, para não deixar à ela a possibilidade de tomar uma decisão que vai ser ruim para outras pessoas. São duas técnicas de trabalhar e eu acho interessante que o brasileiro já tem esse padrão americanizado, recebe o padrão europeu”, pontua Vigier.
De acordo com o policial francês, a promoção deste tipo de curso não busca repassar técnicas para matar pessoas, mas evitar que o número de policiais mortos não continue crescendo no Brasil. “Tem a formação básica e as técnicas que eu espero que eles nunca precisem usar, mas se eles precisarem usar, eles conhecem a técnica e vão usar isso para salvar a vida deles ou de um cidadão”, finaliza.
Sobre o IPTA
O IPTA é uma organização mundial de formação da polícia que reúne, sem distinção de grau, gênero, raça, cor, língua ou religião, membros da polícia, serviço, atividade ou aposentados a fim de criar esses laços de amizade e cooperação internacional, mas principalmente para melhorar, através de uma formação específica, a sua preparação para diferentes missões, a fim de preservar as vidas de policiais. A organização foi fundada em 2015 pelo policial Alexandre Vigier.
Apocser
Este foi um ano de atividades expressivas para a Apocser, de acordo com o vice-presidente, Fabiano Souza. Foram feitas melhorias na sede as quais possibilitaram diversas locações para os associados e realizadas de palestras de prevenção às drogas abrangendo um público de cinco mil estudantes de Passo Fundo, Marau e Ronda Alta. O curso com o instrutor francês é o terceiro promovido pela associação que busca o aperfeiçoamento dos policiais civis, através de treinamento específico para encarar missões e empreender técnicas a cada dia, que tem como objetivo a preservação da vida dos policiais.



