Delegado defende ?EURoeconstrangimento ilegal?EUR? em inquérito sobre agressão em escola

Investigação aguarda laudos de lesão corporal de adolescente e esposa do PM aposentado para ser remetido à Justiça

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Na semana seguinte à agressão alunos confeccionaram um cartaz contra a violência na escola Crédito: Na semana seguinte à agressão alunos confeccionaram um cartaz contra a violência na escola Crédito:
Na semana seguinte à agressão alunos confeccionaram um cartaz contra a violência na escola Crédito:
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O inquérito que investiga a agressão de um policial aposentado, de 54 anos, contra um aluno de 16 anos na Escola Estadual Ensino Fundamental Jerônimo Coelho no dia 17 deste mês deve ser remetido à Justiça até o final desta semana. Segundo o delegado responsável, Mário Pezzi, da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA), o inquérito aguarda laudos de lesão corporal de adolescente e da esposa do policial aposentado e deve ser remetido como “constrangimento ilegal”. 

 

“Em princípio será constrangimento ilegal, a não ser que o laudo traga alguma lesão, mas em princípio o crime foi de constrangimento ilegal”, defendeu Pezzi. O delegado disse que o fato do homem ser um policial aposentado não pesa como agravante, já que “não está na ativa”. Já o uso de algemas para imobilizar o adolescente deve ser incluído na tese de constrangimento ilegal.


O policial aposentado prestou depoimento na terça-feira (28) à tarde. Além dele foram ouvidos diretores da unidade, demais professores e alunos.


Escola busca normalidade
Após o caso, a escola paralisou as atividades durante uma semana e se manteve mobilizada contra a violência o ambiente escolar. Alunos elaboraram cartazes e pais e professores buscaram alternativas para conter os problemas. As aulas retornaram na terça-feira (28) com apenas um portão aberto. Os pais também estavam proibidos de entrar na escola e tiveram que entregar e buscar os filhos a partir do portão principal. O policial aposentado ainda solicitou a transferência dos seus filhos da escola.

Relembre
O caso aconteceu na sexta-feira, dia 17 de maio. De acordo com o Boletim de Ocorrências registrado na época, há uma “rixa” entre as famílias do policial aposentado com a do estudante. No dia, o homem entrou na escola e revistou a mochila do garoto, encontrando uma chave de fenda. As agressões começaram após isso. A cena foi filmada por estudantes que compartilharam nas redes sociais. Em um dos vídeos é possível ver o policial aposentado segurando o adolescente pelo pescoço, contra a parede, enquanto sua esposa, de 39 anos, começa a algemá-lo.


O adolescente geme e tenta se desvencilhar, até que é derrubado, quando o homem puxa seus braços para trás. “Meu braço!”, é possível ouvir o adolescente gritar. O homem insiste e fica sobre o garoto, que está no chão, terminando de fechar as algemas. Enquanto o adolescente é agredido uma mulher pede: “É abuso de poder! [O senhor] não está na ativa! Não pode fazer isso!”. Em outro vídeo, quando a Brigada Militar chega ao local, um dos agentes pede que a mesma mulher mantenha a calma. O homem que algemou o garoto permaneceu ao lado e o adolescente foi levado pelo Corpo de Bombeiros ao hospital.


Para o Boletim de Ocorrências, o policial aposentado disse que o adolescente de 16 anos ameaçou esfaquear seu filho no dia anterior e, por isso, vasculhou sua mochila. O adolescente não permitiu e teria arremessado o skate contra a esposa do policial aposentado, que teria se machucado. Ele ainda disse para o registro que seu filho sofria ameaças, agressões e bullying tanto pelo adolescente que algemou, quanto pelo irmão dele, de 12 anos.

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