Operação Consortium: Polícia desarticula quadrilha especializada em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

Em Passo Fundo, a Polícia Civil apreendeu documentos na casa de um suspeito de envolvimento na organização criminosa

Por
· 3 min de leitura
Divulgação/PC Divulgação/PC
Divulgação/PC
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

A Polícia Civil cumpriu na manhã de hoje um mandado de busca e apreensão em uma residência na cidade de Passo Fundo. A ação fez parte da Operação Consortium, que teve o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Os trabalhos aconteceram nos três Estados do Sul, sendo que em Passo Fundo foram apreendidos documentos que podem comprovar o envolvimento de um morador local com a quadrilha.

 

A Operação

Noventa e seis ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de Porto Alegre, Gravataí, Cachoeirinha, Esteio, Estância Velha, Novo Hamburgo, Tramandaí, Osório, Charqueadas, Viamão, Canoas, Soledade, Pelotas, Passo Fundo e Cruz Alta, além dos Estados de SC e PR. Na ação, 14 pessoas foram presas e apreendidos cerca de R$ 300 mil em esmeraldas, R$ 7 mil em espécie, 4 veículos de luxo, além de armas e munições.

O total de medidas cautelares investigativa durante dois anos de investigação e chega a 375, dentre quebras bancárias, fiscais, financeiras, telemáticas, extração de dados telefônicos, mandados de busca, prisões temporárias, preventivas, bloqueio de contas bancárias e valores mobiliários, indisponibilidades de imóveis, veículos, apreensão de valores em espécie e carros de luxo. O total movimentado pelos dois Núcleos Criminosos pode chegar a 104 milhões de reais, com 93 investigados. Estão sendo sequestrados/indisponibilizados imóveis, veículos, contas bancárias, ativos na bolsa de valores, dinheiro em espécie, que podem chegar a R$ 5 milhões de reais.

 

Lavagem de dinheiro

Segundo a investigação, no sistema financeiro, utilizavam técnicas de dissimulação para burlar fiscalizações contábeis e rastreios dos ativos, mediante smurfing e fracionamentos, seguidos de pulverização entre gerentes financeiros e laranjas. Eles utilizavam muitos cheques para pagamentos e descontos com outro operador financeiro da quadrilha, um empresário que atualmente preso. Os pagamentos ao empresário/operador financeiro eram feitos por laranjas dos traficantes, bem como em alguns casos diretamente por eles.

Na modalidade ocultação de veículos de luxo, usavam laranjas para mascarar a propriedade real, bem como constante moeda de troca entre os membros. Um alvo gaúcho, morador de Santa Catarina, recentemente preso, teve em sua posse aproximadamente 1,8 milhões de reais destes carros, suspeito de ser o mediador com atacadistas, ele usava técnicas de burla no sistema bancário para pagamentos aos demais alvos.

A investigação apurou ainda a posse de carros de luxo como Porsches e lanchas, com uso de cadeia de procurações, dissimulando a real propriedade de bens. Um dos líderes ainda ensinava outros comparsas a como "lavar dinheiro", captados nas interceptações telemáticas.

Os policiais enfatizaram a alta especialização da quadrilha, pois lançam mão de laranjas e operadores em sua maioria sem antecedentes e usando comerciantes, empresários, além de parentes próximos. Nas empresas reais e algumas de fachada, mesclavam ilícitos para conta de passagem, gerando confusão patrimonial proposital no fluxo de valores com suas pessoas físicas, com finalidade de ocultação, dissimulavam nos contratos sociais alguns funcionários como sócios, para o empresário/operador financeiro além de utilizar a conta bancária deles para o branqueamento.

 

Tráfico de drogas

Todos esses valores eram oriundos do dinheiro obtido com o tráfico de drogas. O grupo criminoso desarticulado é o responsável pelo maior esquema logístico de distribuição de maconha do Rio Grande do Sul, transportando de duas a três toneladas de maconha por quinzena de países produtores à região metropolitana de Porto Alegre, para depois distribuir aos compradores que adquirem seus percentuais previamente mediante “consórcio” entre os membros. 

A investigação da Polícia Civil apontou que  as facções montaram um “consórcio” e transportavam a droga para sítios em vários municípios próximos a Porto Alegre, sempre da mesma forma, escondidas em cargas de milho ou açúcar, em carretas acompanhadas por carros batedores. Depois disso, os integrantes do consórcio pegavam suas partes já encomendadas com antecedência, e distribuíam para depósitos menores e, em seguida, para os pontos de venda.

O “consórcio” era divido em núcleos que atuavam em atividades específicas. Além do núcleo dos líderes, haviam os operadores logísticos, responsáveis pelo armazenamento da droga, alugando  sítios. Além deles, havia o núcleo dos motoristas, contratados para transportar a droga em caminhões e carretas; e o núcleo que auxiliava na distribuição. O último núcleo é o que atuava na organização da lavagem de dinheiro. 

Gostou? Compartilhe