Entrevista: Beto Albuquerque retoma a estrada e a política

Durante visita a Passo Fundo, o ex-deputado garantiu presença nas eleições de 2026

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Durante as comemorações pelos 20 anos da Be8, na semana passada, o ex-deputado Beto Albuquerque retornou a Passo Fundo pela primeira vez, após ter enfrentado um grave problema de saúde. Em entrevista ao jornal O Nacional, ele falou sobre sua recuperação e os planos de retornar à política já nas eleições de 2026.

“É a primeira vez, depois do meu grave problema de saúde no ano passado, que eu venho dirigindo de Porto Alegre para cá. Isso é um teste importante para mim. Estava com muita saudade da cidade, de encontrar amigos”, contou.


Be8

A respeito do aniversário dos 20 anos da Be8, Beto lembrou ter acompanhado de perto o processo de nascimento da então BSBios no período em que o empresário Erasmo Batistella era proprietário de dois postos de gasolina, no município de Colorado, e surgiu com a ideia de construir uma empresa de biodiesel.

"Foi exatamente no período em que o governo federal recém havia lançado as bases reais para possibilitar aquele tipo de projeto. A gente conseguiu o primeiro empréstimo público do Banco do Brasil para a indústria do biodiesel, destinado para a então BSBios. Nós também conseguimos o primeiro selo verde, um reconhecimento internacional de empresa limpa. Foi um jogo muito inteligente das forças políticas da cidade em conquistar a instalação da BSBios aqui. Passo Fundo é uma antes da sua industrialização, e não faz muito tempo, e outra cidade pós industrialização”, afirma.


O retorno à política

Questionado sobre um retorno à vida pública, Beto garantiu o retorno já nas eleições de 2026, no entanto, não tem definido se concorrerá ao cargo de deputado estadual ou federal.

“Bom, eu ainda estou muito disposto a voltar para o cenário da política. Uma parte por indignação, porque eu estou vendo a política nos parlamentos em geral com um nível muito baixo, com muito grito, muita reclamação, muito protesto e pouco fazer. O parlamentar virou um ator, aliás, um péssimo ator, de rede social. Ele esquece de trabalhar para a população, ou para a região de origem dele”, destacou.

Beto afirmou que pretende dialogar com as lideranças locais antes de decidir por qual cargo concorrer. “Vamos procurar construir disputas que somem e, portanto, quem sabe, pela primeira vez, possamos ter em Passo Fundo a maior representação que já tivermos, com mais parlamentares. Hoje estou com mais juízo, com mais folga para pensar antes de falar, com mais folga de pensar antes de fazer. Estou pensando muito seriamente em voltar, ou a tentar voltar, em sintonia com aquilo que a maioria da população de fato possa pensar”, afirma.


PSB, alianças e democracia

Com quase quatro décadas de trajetória no mesmo partido, Beto falou com orgulho sobre sua caminhada. “Vou fazer 40 anos de Partido Socialista Brasileiro (PSB), meu único partido, pouca gente hoje tem só um único partido. Eu tenho o meu orgulho disso e sigo no PSB com muita honra”.

Prevendo o cenário nas eleições de 2026, Beto defende a construção de alianças entre partidos de centro-esquerda, especialmente em nível estadual. “Nós precisamos pensar em ampliar as alianças já nas eleições estaduais, porque é aqui no Estado que nós vamos construir todas as bases para a reeleição do projeto que está em curso no Brasil”, afirmou.

Ao analisar o cenário nacional, destacou o papel do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e criticou posturas autoritárias.

“Temos mais condições, evidentemente, de reeleger o projeto em curso e de frear esse retrocesso civilizatório. Essas tentações autoritárias, de volta da ditadura, de volta da intervenção militar, que só um alzheimer político pode explicar alguém ter saudade desse tipo de coisa”, destacou.


Representatividade e escolhas conscientes

Sobre a falta de representantes políticos de Passo Fundo, tanto na Assembleia Legislativa, como no Congresso Nacional, o ex-deputado afirma que o município precisa deixar a briga da polarização de lado, e optar pelos melhores candidatos.

“Eu acho que se Passo Fundo entrar na briga da polarização, pode não eleger ninguém, mas se for inteligente, absorver as diferenças, escolher os melhores, nós podemos ter mais de um representante tanto na Câmara quanto na Assembleia Legislativa”, declarou.


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