Plantio de soja está na reta final

Área cultivada na região deve ser 1% maior em relação à última safra. Migração do milho para a soja é estratégica tendo em vista ocorrência do fenômeno La Nina

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Por ser uma cultura mais rústica, soja resiste melhor a períodos de estiagem em comparação com o milhoPor ser uma cultura mais rústica, soja resiste melhor a períodos de estiagem em comparação com o milho
Por ser uma cultura mais rústica, soja resiste melhor a períodos de estiagem em comparação com o milho
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O plantio da soja está em sua reta final na região e a área cultivada deve ser 1% maior em relação ao ano passado, conforme dados da Emater Regional de Passo Fundo. A expectativa é de que a implantação das lavouras seja concluída até o dia 25 de novembro e o clima tem colaborado para isso. A área aumentada foi migrada da cultura do milho por questão estratégica, tendo em vista o fenômeno La Nina que pode diminuir os volumes de chuva.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater, Cláudio Dóro, a soja é uma cultura mais rústica que resiste melhor a períodos de estiagem em relação ao milho. Além disso, a oleaginosa apresenta maior liquidez e também melhor preço. “Por questão de segurança e estabilidade de produção, os produtores estrategicamente optam pela soja”, reforça. Ambas as lavouras apresentam ótimo padrão até o momento, na avaliação do agrônomo. Nesta safra, soja terá a responsabilidade de pagar as contas dos produtores, uma vez que tiveram uma safra de inverno frustrada.
Estado
O Informativo Conjuntural da Emater Estadual também aponta que com as condições meteorológicas propícias aos trabalhos de campo e com a liberação das áreas que estavam com as culturas de inverno, o percentual semeado alcançado com a soja pôde evoluir nessa semana de forma significativa e já chega a 40%, contra os 39% da safra passada.
Até o momento a cultura tem encontrado condições muito boas ao seu desenvolvimento inicial, em que pesem algumas áreas apresentarem espécies resistentes aos herbicidas usados atualmente. Fato que dificulta, em determinadas circunstâncias, o manejo adequado das lavouras. No geral as lavouras apresentam populações recomendadas e livres de pragas e moléstias em níveis que causem danos significativos.
Quanto à comercialização, em relação às últimas semanas, o produto apresentou oscilação positiva no preço médio pago aos produtores que detêm a oleaginosa em estoque. Na semana atual, o preço da saca de 60 quilos ficou em R$ 63,69 (+0,9% sobre a anterior).
Plantio do milho concluído
No Estado, o plantio do milho está praticamente concluído, conforme o Informativo, ultrapassando 90% da área prevista de 731,2 mil hectares, incluindo as áreas de milho que deverão ser repetidas a partir de dezembro, com o “milho safrinha”. No final do plantio, o levantamento aponta que deverá se confirmar a redução das áreas para produção de grãos prevista inicialmente, ao passo que para produção de silagem não haverá redução.
Da área semeada para grão, 70% está na fase de desenvolvimento vegetativo, 20% na fase de florescimento e já há 10% em enchimento de grão. No geral as lavouras apresentam boa população de plantas com um aspecto verde intenso e livres, em sua grande maioria, de pragas e moléstias, indicando que, se as condições meteorológicas forem propícias, a produtividade média do Estado deverá ser novamente próxima a sete mil quilos por hectare.
O preço pago aos produtores apresentou uma variação positiva de 1,04% em relação ao preço anterior, ficando nesta semana na faixa de R$ 22,00 a R$ 30,00/sc. de 60 quilos.
Produção brasileira
O Ministério da Agricultura divulgou que o valor bruto da produção agropecuária (VBP) para 2017, com base nas informações de outubro, é de R$ 533,5 bilhões, 1,6 % acima do valor de 2016, que foi de R$ 525 bilhões. As lavouras tiveram aumento real de 5,5 % e a pecuária, redução de 5,8 %. O valor de 2017 terá pequenas alterações até o fim do ano, pois a safra de 2016/17 está quase encerrada, faltando apenas confirmar informações de algumas lavouras de inverno. A região Sul lidera o faturamento de 2017, com R$ 140,6 bilhões, seguida pelo Centro-Oeste com R$ 137,9 bilhões, Sudeste, R$ 136,0 bilhões, e Nordeste e Norte, respectivamente, com R$ 48,9 bilhões e R$ 32, 4 bilhões.
Os prognósticos para a safra de 2018, divulgados pela Conab e IBGE, indicam que 2018 poderá ter uma safra de grãos menor do que neste ano. A Conab projeta redução percentual média de cerca de 5% e o IBGE de 8,9%. Em valores absolutos, a Conab projeta valores entre 223,3 milhões de toneladas e 227,5 milhões de toneladas, enquanto que o IBGE projeta safra de 220,2 milhões de toneladas. A safra deste ano, segundo a Conab, deve fechar em 238 milhões de toneladas e para o IBGE em 241,6 milhões de toneladas. A estimativa projetada para o VBP é de R$ 506,0 bilhões, com redução de 5,1% em relação a este ano.

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