Indígenas cobram agilidade nas políticas relacionadas à saúde

Durante a quinta-feira, indígenas bloquearam a BR 285, próximo de Mato Castelhano. Lideranças da região temem que povos fiquem desassistidos porque o coordenador do DSEI Interior Sul não foi nomeado. Sem isso, contratos, convênios e compra de medicamentos não têm andamento

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Indígenas de pelo menos cinco comunidades trancaram a BR 285, no quilômetro 266, durante o dia de ontem (11). O trecho, próximo do município de Mato Castelhano, fica na localidade de Tijuco Preto. A paralisação integrou um movimento nacional contra as medidas adotadas pelo Governo Federal com relação à saúde dos povos indígenas. Caso as reivindicações dos povos não sejam atendidas, as paralisações devem seguir nesta sexta-feira (12) e na próxima semana.

Ontem, protesto começou por volta das 7h30 e se estendeu até perto das 17h. O trânsito era liberado a cada 40 minutos de modo que todos os veículos que estivessem na fila pudessem passar. A Polícia Rodoviária Federal monitorou o local e outras paralisações foram registradas em rodovias do estado e do país. Na BR 285, se concentraram lideranças de Tijuco Preto (local), Campo do Meio, Ventarra, Sertão e Passo Fundo.

As comunidades locais reivindicam também a nomeação do novo coordenador do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) - Interior Sul, já que sem a indicação os processos administrativos que envolvem licitações, convênios e compra de medicamentos ficam trancados. Conforme o cacique de Tijuco Preto, Claudio Cristão, o contrato com os motoristas encerra no fim deste mês, deixando as comunidades da região sem transporte médico.

A não nomeação do coordenador é um sinal de alerta para os povos, já que no início do ano o governo sinalizou a possibilidade de municipalizar a saúde indígena. Em março, após uma série de protestos, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, recuou da proposta de municipalização.

Em Brasília, um grupo questiona a atuação da titular da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai), Silvia Waiãpi, e as medidas do presidente Jair Bolsonaro. Eles ocupam a sede da secretaria, na capital Federal, desde a noite de terça-feira (9).

Demarcação de terras

Das lideranças que estavam no protesto de ontem, somente uma comunidade é uma reserva: Ventarra. Ou seja, tem área demarcada. Todos os demais grupos estão em processo de demarcação. Algumas, como é o caso de Campo do Meio, estão há mais de 10 anos reivindicando a área. Os caciques relatam dificuldades de dar andamento à questão fundiária em virtude das políticas adotadas pelo governo em relação à Fundação Nacional do Índio (Funai).

 

Protesto suspenso

Os indígenas da Reserva do Ventarra pretendiam fazer um bloqueio na ERS 135, entre Passo Fundo e Erechim, próximo ao município de Erebango. Porém, a paralisação foi suspensa porque o Ministério Público do RS (MP-RS) encaminhou um ofício à Polícia Rodoviária Estadual solicitando providencias para desobstrução da via, caso houvesse manifestação. Assinaram o documento dois promotores de Justiça da comarca de Erechim, um de Getúlio Vargas e uma procuradora da República de Erechim. Em virtude da manifestação, o cacique Gilmar Sales Cristão e outros membros da comunidade de Ventarra integraram o protesto em Mato Castelhano.

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