Torneio indígena de Free Fire conecta tribos da região

Equipes disputam o circuito nacional do jogo que consolida a “geração mobile” no país

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Foto: Divulgação/Copa das AldeiasFoto: Divulgação/Copa das Aldeias
Foto: Divulgação/Copa das Aldeias
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Pela concentração em torno do monitor, parece que os indígenas estão assistindo a uma final de campeonato de futebol. Ao olhar rapidamente a tela, entretanto, se percebe que a razão do entusiasmo é outra. Ao invés de uma bola, o que se vê é o mapa de Free Fire sendo atravessado em tempo real pelos jogadores que batalham, virtualmente, pela Copa das Aldeias transmitida pela plataforma de streaming NimoTV. 

A popularização do jogo de disparo em primeira pessoa (FPS), desenvolvido pela Garena, nas zonas periféricas das cidades e tribos indígenas consolida a “geração mobile” brasileira, que tem 41,6% dos jogadores com os olhos e dedos voltados aos celulares, segundo revelou a Pesquisa Game Brasil (PGB) realizada no primeiro semestre deste ano. E é para o dispositivo móvel que o kaigang passo-fundense, Lucas “Lucabitrtc” da Rosa, dedica de 4 a 5 horas por dia nos treinos de estratégia e precisão de tiro para conseguir atravessar a ilha que ambienta o game. “Essa competição tem um olhar um pouco diferente para a comunidade indígena porque tem muita gente boa que joga”, observou. 

Conectividade 

Das 192 equipes indígenas inscritas para a 5ª edição, ainda sem data oficial para iniciar, pelo menos três têm residência em Passo Fundo, Ibiraiaras e Iraí. “Mais de 40 etnias jogam o Free Fire. Os não indígenas olham para eles e começam a respeitar porque estão tomando o seu lugar”, frisou o criador da Copa das Aldeias, Igor “Cai por Terra”, ao jornal O Nacional na quarta-feira (2). Com mais de 13 mil inscritos no canal, o mineiro ponderou que, embora a preferência pelo shooter possa ser explicada pela facilidade de execução do jogo mesmo em aparelhos celulares mais modestos, a conexão instável de internet nas aldeias ou a ausência de conectividade da rede 4G dificulta os treinos das guildas, nome dado às equipes do competitivo. “Muitos indígenas caminham alguns quilômetros em busca de um ponto de acesso à internet em mercados ou casas para conseguir participar”, contou “Cai por Terra”. 

Essa necessidade de deslocamento dos atletas também foi aludida pelo player passo-fundense. “No meio do campeonato, a internet cai”, comentou Lucas. “A maioria dos jovens na nossa aldeia joga. Quando não estamos trabalhando, treinamos e tem muita mulher que também joga Free Fire”, disse. Na comunidade, diz “Lucabitrtc”, dos 150 indígenas, 40 se conectam aos servidores da Garena, que são acessados diariamente por mais de 100 milhões de pessoas de diferentes países, segundo o relatório da companhia responsável pelo jogo. “A gente tem esperança de algum dia ter algum indígena em alguma guilda grande”, confiou o jogador ao falar sobre a profissionalização dos jogadores.  

Rompida a barreira de conexão, a inserção do jogo eletrônico nas aldeias precisa se provar para os caciques que, em muitas localidades, mencionou “Cai por Terra”, rechaçam a competição como forma de proteger a ancestralidade da tribo. “Durante a competição, eles conhecem tribos e etnias novas que nem sabiam que existiam”, indicou o streamer.  


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