UPF oferece atendimento para jovens com transtornos

Projeto é direcionado a crianças e jovens com Déficit de Atenção e Hiperatividade

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A Universidade de Passo Fundo promove atendimento gratuito, todas as sextas-feiras, por meio do projeto de extensão de Apoio à Pessoa Portadora de Déficit de Atenção e Hiperatividade. O projeto é desenvolvido através da Faculdade de Medicina e do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Os atendimentos são realizados no ambulatório da Medicina, localizado junto ao Hospital São Vicente de Paulo. No mês de junho, foram atendidas 43 crianças e adolescentes, que, além de passarem por avaliação médica e psicológica, recebem acompanhamento e tratamento adequado para melhora de sua qualidade de vida. De acordo com o professor e coordenador do projeto, Cláudio Joaquim Paiva Wagner, a iniciativa começou em 2011 e é marcada por um caráter multidisciplinar. “Nos últimos dois anos, tivemos dificuldades de encontrar parceiros, mas este ano estamos contando com a colaboração da professora e psicóloga Vanisa Fante Viapiana. A participação é importante porque quando trabalhamos com crianças e adolescentes precisamos de uma equipe multidisciplinar”.

As escolas

A execução do projeto vai além da UPF, pois atua em parceria com as escolas estaduais e municipais. Assim, possibilita que estudantes com suspeita de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade sejam encaminhados para avaliação junto ao projeto de extensão. Este é um serviço que a rede pública de saúde e de educação não oferece atualmente. Em maio, foram realizados 35 atendimentos e, em junho, foram 43 atendimentos de alunos que estão em fase escolar, dos 6 aos 18 anos. “Eles passam pela equipe psiquiátrica, por avaliação neuropsicológica para podermos pensar em encaminhamentos e depois eles continuam o acompanhamento psiquiátrico”, contou a psicóloga Vanisa Fante Viapiana.

Tratar transtornos para evitar sofrimentos

A psicóloga Vanisa explica que o diagnóstico e o tratamento são importantes para que a doença não cause sofrimento para a criança. “Não é a criança agitada que é hiperativa, mas a criança que tem uma agitação que não consegue controlar, tendo dificuldades na escola ou no âmbito comportamental na família. Então, não é à toa que é um transtorno de neurodesenvolvimento, e, além disso, para caracterização de um transtorno, é preciso que se tenha algum tipo de prejuízo”, explicou. O transtorno pode se manifestar de diferentes maneiras, em alguns casos tendo a predominância de desatenção, causando sérios prejuízos escolares. Se não for tratado, poderá causar problemas também quando essa pessoa for ingressar no mercado de trabalho. “A medicação aliada à psicoterapia comportamental tem os melhores efeitos para as crianças, ajudando a controlar os comportamentos disfuncionais”, explicou Cláudio Wagner. 

A importância da participação das escolas

As escolas, juntamente com o professor, podem ajudar a criança, identificando o comportamento disfuncional e encaminhando o aluno para avaliação médica e da equipe de saúde. Após o diagnóstico, pequenas ações da escola também contribuem para o auxílio à criança. “Coisas simples podem ajudar, como ter uma agenda onde o professor coloca as recomendações, porque pode ser que ela chegue em casa, e diga que não tem tema escolar, só que como ela é desatenta, não vai copiar. Então, é interessante que o professor reveja essa agenda, mandando o bilhetinho para mãe. Não é por maldade, mas porque ela é desatenta. Acredito que é fundamental o papel da escola para entender o que a criança tem e tomar medidas para que diminua o impacto da doença na vida dela”, destacou Wagner.

Conhecendo comportamentos para diagnosticar

Em todos os atendimentos promovidos pelo projeto de extensão, são realizadas entrevistas com a criança e sua família, para que os especialistas possam conhecer o comportamento do paciente em diferentes ambientes. Conforme Wagner, o transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade não é causado por problemas emocionais, pois sua origem é neurobiológica, podendo ser somente agravado por um problema emocional ou familiar. “O diagnóstico é complicado, então, temos sempre vários olhares, quanto mais profissionais de saúde avaliarem o mesmo paciente, menos chances de erro a gente tem. Isso é recomendado para crianças e adolescentes, inclusive o olhar do professor, por isso, o parecer dele é muito importante”.

Da teoria à prática surge um novo olhar

A participação no projeto pelos acadêmicos da UPF é uma oportunidade para aliar teoria e prática e curricularizar a extensão, possibilitando que os dez extensionistas do curso de Medicina e os seis extensionistas do curso de Psicologia possam ter um outro olhar sobre a criança e o adolescente. “É gratificante poder acompanhar o desenvolvimento dessas crianças que vêm encaminhadas de todo o município, muitas com dificuldades de aprendizado e relacionamento. Gosto de muito de pediatria e, como atendemos especialmente crianças, é uma área que penso em seguir”, disse o estudante do 7º nível do curso de Medicina Bernardo Ranzolin.

Desafios

Os desafios encontrados pelos profissionais para o diagnóstico e melhor tratamento ao paciente são vivenciados pelos acadêmicos da UPF que podem conhecer mais sobre a profissão que desejam seguir. “Quando entrei no curso de Psicologia, tinha feito outro antes e já entrei querendo me situar. Acho que uma boa forma de conhecer é ver na prática os atendimentos e o cotidiano da profissão”, relatou a estudante do 1º nível de Psicologia Maria Augusta Losch. Ampliar a participação no projeto, com atendimento e intervenções também voltadas às famílias dos pacientes e a realização de estudo para apresentação de artigos científicos estão entre os objetivos de desenvolvimento do projeto de extensão. 

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