A implantação de um hospital universitário e a ampliação da oferta de cursos da saúde no campus Passo Fundo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) foram temas de audiência pública na manhã desta segunda-feira (30), na Câmara Municipal. O evento lotou o plenário Sete de Agosto e contou com a presença de lideranças regionais, representantes de instituições hospitalares e comunidade em geral. A sessão foi conduzida pelo presidente do Legislativo, vereador Luizinho Valendorf (PSDB).
Projeto em andamento
A proposta de criação do hospital universitário já foi protocolada na Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela gestão desse tipo de unidade no país. O modelo prevê uma estrutura voltada à formação de profissionais da saúde, aliada ao atendimento de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Paralelamente, a UFFS pleiteia a criação de sete novos cursos: Biomedicina, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Odontologia e Psicologia. A expectativa é oferecer 60 vagas por curso, com ingressos semestrais.
Impacto na região
O reitor da UFFS, João Alfredo Braida, defendeu a proposta e destacou seu impacto regional. Segundo ele, o hospital universitário deverá atender integralmente pelo SUS e se consolidar como um centro de formação e pesquisa. “Trata-se de um equipamento que, além de qualificar profissionais, permitirá avançar no estudo dos principais problemas de saúde da região”, afirmou.
O coordenador do curso de Medicina, Júlio Stobbe, reforçou o caráter estratégico da iniciativa para a rede municipal e regional. Ele avaliou que a nova estrutura contribuirá para reduzir a sobrecarga dos hospitais filantrópicos e ampliar a capacidade de atendimento. “Passo Fundo é referência para uma macrorregião de cerca de 2 milhões de habitantes. O hospital universitário poderá reduzir a demanda reprimida e o tempo de espera por atendimentos”, disse.
Manifestações do público
Durante a audiência, os participantes destacaram a relevância do projeto tanto para o fortalecimento do atendimento em saúde quanto para a expansão do ensino superior na região. Também foram apresentadas ponderações.
A reitora da Universidade de Passo Fundo (UPF), Bernadete Maria Dalmolin, manifestou preocupação em relação à abertura de novos cursos e defendeu a construção de soluções conjuntas. “A UPF tem trajetória consolidada na área da saúde e capacidade técnica e infraestrutura preparada para absorver rapidamente a demanda por novas vagas. Não se trata de oposição, mas da necessidade de construir projetos colaborativos que possam enfrentar de maneira permanente os principais gargalos regionais”, afirmou.
O prefeito de Lagoa Vermelha, Eloir Morona, destacou a importância do hospital universitário para ampliar o acesso aos serviços de saúde. Segundo ele, a iniciativa tende a complementar a estrutura existente. “O hospital vem para somar, reforçando a oferta e ampliando a capacidade de atendimento da região”, declarou.


