Epilepsia

Basicamente, existem dois tipos de epilepsia: a idiopática e a secundária

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Dr. Mariano Crusius é médico radiologista do Hospital São Vicente de PauloDr. Mariano Crusius é médico radiologista do Hospital São Vicente de Paulo
Dr. Mariano Crusius é médico radiologista do Hospital São Vicente de Paulo
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A epilepsia mostra-se cada vez mais frequente nos dias atuais, visto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima em aproximadamente 50 milhões de pessoas afetadas por essa patologia atualmente. Nesse sentido, cresce também a importância da radiologia, e especialmente da neurorradiologia, sendo quesito indispensável na avaliação de pacientes com esse quadro. Em primeiro lugar, é importante definir a diferença entre crise convulsiva e epilepsia. A crise convulsiva é um evento decorrente de descargas elétricas excessivas provenientes de diferentes regiões do cérebro e pode se apresentar de várias formas: desde de uma simples “crise de ausência”, espasmos musculares involuntários, que podem se prolongar por minutos, ou até mesmo com perda esfincteriana. A epilepsia, por sua vez, é definida como uma entidade que se caracteriza pela ocorrência de, pelo menos, dois episódios de crise convulsiva. Ou seja, um único episódio de crise convulsiva isolada não define epilepsia.

 

Dois tipos
Basicamente, existem dois tipos de epilepsia: a idiopática (sem causa estrutural identificável), sendo esta a mais comum, e a secundária (com causa estrutural identificável). E é neste ponto que cresce a importância dos exames de neuroimagem: definir se estamos diante de epilepsia primária ou secundária (para afastar ou não causas estruturais). Uma vez definido o tipo de epilepsia, cabe ao neurologista dar continuidade ao tratamento.

 

As causas da epilepsia secundária são muitas:
* Dano cerebral por lesões pré ou perinatais
* Malformações congênitas com malformações cerebrais associadas
* Traumatismo crânioencefálico
* Acidentes vasculares cerebrais
* Infecções cerebrais (tais como meningite, encefalite, neurocisticercose etc)
* Tumores cerebrais

 

Exames
A chamada Esclerose Medial Temporal (EMT), por exemplo, é um tipo de epilepsia secundária, sendo que sua causa se encontra numa alteração conformacional e estrutural do hipocampo, sendo diagnosticada de maneira mais segura na Ressonância Magnética com alto campo magnético (3 Tesla). As desordens no desenvolvimento cortical cerebral (um tipo de malformação) também apresentam sinais mais claros e evidentes em exames de ressonância magnética 3T. Além de elucidar a causa das crises convulsivas, os exames neurorradiológicos são de fundamental importância na abordagem cirúrgica de lesões expansivas cerebrais, como os tumores por exemplo, para que o neurocirurgião tenha a clareza das dimensões e dos limites da lesão, suas relações com as estruturas vizinhas, entre outras informações necessárias para um procedimento cirúrgico de alta complexidade. Portanto, os exames de imagem do sistema nervoso central, através dos modernos aparelhos de tomografia computadorizada e, especialmente de ressonância magnética, se constituem em um aliado fundamental do médico assistente, tanto na avaliação, como na abordagem e no seguimento de pacientes com epilepsia ou mesmo nos pacientes com crise convulsiva isolada.

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