Vacina vence o placebo de vareio: 162 a 8

(*) Hugo R. K. Lisboa, MD, PhD

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Foto - Jeyaratnam Caniceus/PixabayFoto - Jeyaratnam Caniceus/Pixabay
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Saiu no New England Journal of Medicine no dia 10 de dezembro 2020, publicação que tem o maior fator de impacto entre todas as revistas médicas do mundo, o estudo sobre a vacina da Pfizer para prevenção da Covid-19. Estudaram-se 43.548 participantes sendo que 21.720 receberam a vacina e 21.728 placebo. A vacina ganhou de vareio. No grupo do placebo, 162 adquiriram a doença e no grupo que recebeu a vacina somente 08 pessoas. Este é um número tão robusto que não precisa de rodeios estatísticos para mostrar a eficácia do imunizante.

Eficácia x eventos adversos

Entre 10 casos que tiveram Covid-19 de forma grave, 9 ocorreram naqueles que receberam placebo e 1 no grupo da vacina. Quem recebeu o imunizante desenvolveu mais dor leve a moderada, de curta duração no local da injeção, fadiga e dor de cabeça. A incidência de eventos adversos graves foi baixa e semelhante nos grupos de vacina e placebo. Depois dessa publicação, seguiram-se os resultados de outras vacinas mostrando a mesma eficácia e os mesmo efeitos adversos leves que ocorreram mais no grupo da vacina que no do placebo, como seria esperado. A CoronaVac da China/Instituto Butantã entregaria os seus resultado a ANVISA no dia 23 de dezembro 2020.

Medicamentos sem estudos

Numa outra publicação, encontra-se que o vermífugo invermectina teve um aumento nas vendas de 1.892%. Segundo um levantamento feito pelo Conselho Federal de Farmácia, nos cinco primeiros meses de 2020 a venda da cloroquina aumentou 677% e da hidroxicloroquina 863%, comparados ao mesmo período do ano passado. Essas medicações são usadas no Brasil num denominado “tratamento precoce” para evitar a doença, mas não se encontram resultados irrefutáveis em estudos bem feitos para mostrar sua eficácia. Como os casos da doença estão aumentando é de se questionar até, se eles não estão facilitando a infecção. As terríveis 186 mil mortes (em 19/12) estão aí para nos alertar.

Boataria malévola

Como médico, cabe-me recomendar fortemente a vacinação, proveniente de qualquer produtor, avalizadas pela ANVISA. A despeito da boataria malévola quanto ao seu uso, não se encontra nenhum respaldo na história médica da imunização algum fato concreto de prejuízo. Espera-se que o Governo Brasileiro não se atrapalhe, como tem acontecido, e ajude a vacina chegar no braço dos brasileiros rapidamente. Eu já estou com a manga arregaçada.

(*) Hugo R. K. Lisboa, MD, PhD é endocrinologista e professor de Medicina da IMED


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