Governo avalia retomar cogestão na próxima semana

Infectologista projeta reflexos na melhora do quadro epidemiológico para o final de abril

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O Governo do Estado estuda o retorno da cogestão regional a partir da próxima segunda-feira (22), caso os indicadores confirmem, ao longo desta semana, a redução efetiva dos contágios e das hospitalizações por coronavírus. As medidas extraordinárias de restrição impostas pela bandeira preta, como a suspensão geral de atividades entre 20h e 5h aos finais de semana e a fiscalização contra aglomerações, no entanto, devem continuar, segundo afirmou o governador Eduardo Leite (PSDB) na quarta-feira (17).

Ainda assim, como adiantou o chefe do Executivo gaúcho, todo o território rio-grandense deve seguir na classificação mais rigorosa do modelo de Distanciamento Controlado. “A bandeira preta serve para alertar a população a respeito desse risco altíssimo que ainda vemos na nossa capacidade hospitalar. Ou seja, quem se contaminar neste momento ainda vai encontrar um sistema hospitalar bastante comprometido”, ressaltou Leite em um vídeo publicado pelo governo nas redes sociais. Esse colapso no sistema público e privado de saúde pode ser visualizado no Mapa de Leitos da Secretaria Estadual de Saúde, cujas projeções apontam 100,3% de ocupação nas camas hospitalares, pelo SUS, no Rio Grande do Sul, e 90,9% nos leitos públicos e 148,1% na rede privada na macrorregião Norte.

Revisão

A decisão de uma possível retomada da cogestão, que permite aos municípios a adoção de protocolos próprios para o enfrentamento à pandemia, veio após protestos de empresários dos serviços considerados não essenciais e de uma série de reuniões com os prefeitos para avaliar os quadros epidemiológicos.

Tais articulações regionais em defesa da pauta econômica também estiveram acompanhadas de uma preocupação dos gestores municipais com a geração de emprego e renda, e manifestadas ao Governo do Estado por meio de ofícios encaminhados por diversas entidades, entre elas a Associação dos Municípios do Planalto (Ampla), que engloba a região de Passo Fundo. “É possível se iniciar esse processo de retomada dos serviços não essenciais sempre com muita responsabilidade e observando todos os protocolos que são fundamentais neste momento”, afirmou o presidente da Ampla e prefeito de Marau, Iura Kurtz (MDB), também em uma manifestação virtual. “Se isso se confirmar, é um avanço. Mas nós devemos reforçar todos os cuidados necessários para que a gente possa dar este passo com segurança, preservando a economia e a saúde”, declarou.

O prefeito de Passo Fundo, Pedro Almeida (PSB), que esteve reunido com Kurtz e representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) na tarde de quarta-feira (17), adotou o mesmo teor no discurso e disse que as questões sanitárias e econômicas “precisam andar juntas” com uma ampliação de cuidados. “A abertura do comércio é uma conquista para um setor que há meses vem registrando prejuízos financeiros, mas é essencial que todos sigam os protocolos sanitários”, advertiu.

Por isso, o retorno da cogestão regional, baseado nos indicadores de redução de internações, foi debatido em reunião do Gabinete de Crise, na quinta-feira (18), e voltará à mesa dos gestores públicos da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e representantes de associações regionais nesta sexta-feira (19), data em que o governador deve anunciar mudanças nos protocolos de bandeira vermelha a serem adotados pelas cidades gaúchas, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Passo Fundo.

Alívio futuro

Com 100,7% de ocupação nos leitos públicos Covid e 211,1% na rede privada de saúde no município, a infectologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Vanessa Pimentel de Oliveira, lembrou que os efeitos negativos das restrições, podem ser analisados na perspectiva a longo prazo, já que uma contaminação maior significa mais tempo de fechamento. “Acredito que teremos, a partir do final de abril, um cenário melhor se as medidas de restrição instituídas pelo estado nesses dois meses forem respeitadas. O Instituto Butantan divulgou dados recentes sobre a eficácia da vacina CoronaVac para a variante P1 e isso é uma excelente notícia”, observou. “Mais do que instituir regras, é necessário segui-las", enfatizou.

A superlotação nos centros de saúde, como explicou a infectologista, pode ser atribuída ao relaxamento no cumprimento das medidas de distanciamento e à transmissão comunitária da variante amazônica do coronavírus. "Esta é uma variante mais transmissível e está possivelmente relacionada com a 'terceira onda' de Covid no Estado. Maior que as duas primeiras e razão do colapso nos serviços de saúde nas últimas semanas”, explicou a docente.

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