Pessoas que querem parar de fumar podem buscar tratamento na rede municipal de saúde

Os atendimentos são realizados nas unidades de saúde a partir do Programa de Cessação do Tabagismo

Por
· 2 min de leitura
161 mil pessoas morreram em decorrência do consumo de tabaco no Brasil em 2020 (Foto: Daniele Fotia/Unsplash)161 mil pessoas morreram em decorrência do consumo de tabaco no Brasil em 2020 (Foto: Daniele Fotia/Unsplash)
161 mil pessoas morreram em decorrência do consumo de tabaco no Brasil em 2020 (Foto: Daniele Fotia/Unsplash)
Você prefere ouvir essa matéria?

Em Passo Fundo a rede municipal de saúde oferece acompanhamento e tratamento para pessoas que querem se desvencilhar do vício pela nicotina. Os atendimentos são realizados a partir do Programa de Cessação do Tabagismo em quase todas as unidades de saúde. As exceções são os Cais Petrópolis, Boqueirão e São Cristóvão, que estão recebendo exclusivamente pacientes com sintomas de Covid-19. 

Todo o processo é realizado diretamente nas unidades de saúde, com uma equipe multidisciplinar. O tratamento inclui avaliação clínica, abordagem mínima ou intensiva, individual ou em grupo e, se necessário, terapia medicamentosa.

Para receber um encaminhamento, o paciente pode chegar na unidade com objetivo de parar de fumar ou manifestá-lo durante qualquer consulta médica. “Com o desejo manifestado, orientamos e agendamos uma primeira consulta para fazer uma avaliação clínica, que também evidenciará o grau de dependência da nicotina”, explica a enfermeira da UBS do Bairro São Luiz Gonzaga, Júlia de Marco.

A análise, o direcionamento médico e o desejo do paciente nortearão o tratamento, que pode contar com intervenção medicamentosa. “Após a avaliação clínica e o teste de nicotina, é conversado com o médico sobre a intervenção com medicação. Disponibilizamos, de acordo com a situação específica, tratamentos com medicação disponibilizada pelo SUS, que requer o acompanhamento da unidade de saúde, adesivo ou a goma de mascar. A recomendação depende do grau de nicotina e também da escolha desse paciente”, de acordo com Júlia, que é especialista em Atenção Básica.

Todos os pacientes, fazendo uso ou não de medicamento, deverão passar por acompanhamento, que inicia semanalmente. As sessões cumprem um roteiro estabelecido pelo Ministério da Saúde. “São quatro sessões, efetuadas semanalmente, com apoio e orientações sobre como parar de fumar. Depois, as sessões são reduzidas para a cada quinze dias e, posteriormente, uma vez ao mês. Durante as sessões, ocorre a promoção de mudanças de crenças, desconstrução de vínculos comportamentais ao ato de fumar e monitoramento das intervenções utilizadas, como medicamentos e reposição da nicotina. O objetivo final é parar de fumar, mas também é necessário pensar na prevenção de recaídas.”, pontua Júlia.

Como tratamento complementar, a unidade de saúde também oferece a auriculoterapia. A terapia, que ocorre a partir de estímulo periférico, estimula a hipófise a produzir hormônios como o adenocorticotrópico, que estimula as suprarrenais a produzirem cortisol, além de liberar neurotransmissores como a endorfina, que age sobre a dor, humor, depressão e ansiedade.

A enfermeira destaca que é importante que os pacientes passem por todas as sessões de acompanhamento e realizem os tratamentos indicados. “A decisão de parar de fumar não é simples, pois a nicotina presente no cigarro provoca a dependência física, psicológica e comportamental. A busca por ajuda num serviço de saúde já é uma grande conquista do fumante. Porém, é importante seguir com todo o tratamento proposto pelo profissional de forma individual”, esclarece

Por que parar de fumar

Mesmo com a diminuição do número de fumantes no Brasil, que reduziu de 34%, em 1989, para 12%, em 2019, a mortalidade provocada pelo tabagismo ainda é alta. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no ano de 2020, 161 mil pessoas morreram em decorrência do consumo de tabaco.

A maior parte dos pacientes participantes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo na unidade do Bairro São Luiz Gonzaga buscou ajuda de forma espontânea por perceber que o hábito interfere na qualidade de vida diária, conforme relata Júlia. “Os pacientes vêm com queixas de possíveis doenças já instaladas, com relação a questão financeira e sobre querer dar um exemplo melhor aos filhos. O ato de fumar é um fator de risco para muitas doenças, responsável por muitas perdas diariamente, sejam perdas por mortes e também pelo valor gasto pelo SUS no tratamento de pessoas doentes e que poderia ser utilizado para promover mais saúde”, considera.

Gostou? Compartilhe