Fiscalização já multou 439 pessoas flagradas sem máscara em Passo Fundo

Especialista defende uso do equipamento de proteção, junto com a vacina e o isolamento social, como medidas mais eficazes para evitar o contágio

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Artesã ja doou mais de 300 máscaras de proteção (Foto: Bruna Scheifler/ON)Artesã ja doou mais de 300 máscaras de proteção (Foto: Bruna Scheifler/ON)
Artesã ja doou mais de 300 máscaras de proteção (Foto: Bruna Scheifler/ON)
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Com o uso obrigatório em vigor desde 19 de abril do ano passado, a partir de um decreto municipal, muitas pessoas continuam circulando pelas ruas de Passo Fundo sem a máscara de proteção. Além de aumentar os riscos de contágio da Covid-19, o descumprimento da medida também reflete no bolso. As equipes de fiscalização do município já aplicaram 439 multas pelo não uso do equipamento. Conforme o secretário de Segurança Pública, João Darci Gonçalves, o valor é de aproximadamente R$ 200. Quem não efetuar o pagamento da multa fica em dívida ativa com o município.

O uso de máscara, juntamente com o isolamento social e a vacinação são as três maneiras mais eficientes e cientificamente comprovadas de se evitar o contágio e a disseminação do SARS-CoV2, aponta o professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e doutor em Virologia pela Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Olszanski Acrani. O especialista reforça ainda mais a necessidade da utilização do equipamento justamente diante de um quadro com baixo número de vacinados e o descumprimento das medidas de distanciamento social. 

 “Devemos continuar usando máscaras sempre que estivermos fora de casa, em ambiente público, na presença de pessoas que são do grupo de risco e quando em contato com pessoas com suspeita de caso de covid-19. A máscara, assim como a vacina, não é uma proteção somente do indivíduo, mas sim da comunidade como um todo. É um ato de solidariedade e empatia”, ressalta Gustavo.

Manifestação do presidente

Na quinta-feira da semana passada (10) o presidente Jair Bolsonaro, durante discurso na solenidade de lançamento de programas do Ministério do Turismo, afirmou ter pedido ao ministro da saúde, Marcelo Queiroga, um ‘ parecer’ para desobrigar o uso de máscaras para quem já estiver vacinado contra a covid-19 ou ter contraído a doença. 

Acrani salienta que as vacinas não têm uma eficiência de 100%, além disso, segundo ele, muitas pessoas que já tiveram covid-19 não estão necessariamente imunes ao vírus. “Dependendo do organismo, o sistema de defesa pode não produzir uma resposta de memória e tampouco os anticorpos necessários para uma imunização adequada. Além disso, a emergência das novas variantes do vírus aumentam a chance de reinfecção. É por isso que, mesmo tendo Covid ou se já estiver vacinado, é essencial continuar com o uso de máscara. O vírus está circulando, e, enquanto estiver circulando, todos estão sujeitos a se infectarem”, explica o especialista.

Até quando?

Depois de mais de um ano convivendo com as máscaras, muitos se perguntam: até quando teremos que utilizar essa proteção? Ela pode se tornar prática comum nos próximos anos, assim como ocorreu com outros hábitos que surgiram com surtos e pandemias, como lavar as mãos, ferver os alimentos e fazer sexo seguro com preservativo. “Agora estamos aprendendo uma nova medida de higiene, que muito provavelmente vai se tornar um hábito comum em algumas culturas: o uso de máscara quando estivermos em ambientes com muita aglomeração”, analisa o professor. 

No entanto, como recomendação devido à pandemia, a expectativa é que elas continuem presentes por algum tempo. “Acredito que enquanto não tivermos vacinado pelo menos 70% da população e os casos tiverem reduzidos a um patamar mínimo, teremos que continuar com o uso de máscara como recomendação para todos”, avalia Gustavo.

Doação

Desde o ano passado, a artesã e estudante Laura Bortoncello produz máscaras para doação e venda. “No início eu comecei a pegar os tecidos que eu tinha em casa e a produzir, mas vi que eu não ia dar conta de fazer as doações sem uma ajuda, então eu incluí nas vendas um valor simbólico, necessário para produzir uma máscara”, explica Laura. A cada quatro máscaras vendidas, ela doa uma para entidades e associações. A artesã já parou de contar quantas máscaras produziu, mas já doou mais de 300.

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