Infectologista defende uso precoce de antiviral para conter casos graves de SRAG

Com hospitais sob pressão, especialista aponta vacinação e tratamento antecipado como estratégias para reduzir internações

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Apesar da defesa do uso antecipado do antiviral, médico reforça que a vacinação continua sendo a principal medida de prevenção - FOTO: DivulgaçãoApesar da defesa do uso antecipado do antiviral, médico reforça que a vacinação continua sendo a principal medida de prevenção - FOTO: Divulgação
Apesar da defesa do uso antecipado do antiviral, médico reforça que a vacinação continua sendo a principal medida de prevenção - FOTO: Divulgação
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A pressão sobre a rede hospitalar de Passo Fundo, causada pelo aumento das doenças respiratórias, reacendeu o debate sobre o tratamento da influenza. Além de reforçar a importância da vacinação, o médico infectologista do Hospital de Clínicas (HC), Hugo Noal, defende a reavaliação do protocolo de uso do antiviral oseltamivir (Tamiflu), sugerindo que o medicamento seja administrado de forma mais precoce, inclusive em pacientes com síndrome gripal, antes do agravamento do quadro clínico.

Segundo o especialista, dois fatores têm contribuído para o cenário atual: a baixa adesão da população mais jovem à vacinação contra a gripe e a dificuldade em diferenciar, nos primeiros dias de sintomas, uma infecção viral de uma pneumonia bacteriana. Para Noal, esses aspectos influenciam diretamente o aumento das hospitalizações.

“O paciente que recebe o antiviral hoje normalmente já apresenta um quadro indicativo de que provavelmente precisará de hospitalização. Talvez seja o momento de reavaliar essa indicação, para que o medicamento seja utilizado antes do agravamento, ainda nos casos de síndrome gripal. Isso reduziria tanto a transmissão quanto o risco de evolução para formas graves”, afirma.

O infectologista ressalta que a adoção dessa estratégia depende da disponibilidade do medicamento na rede de saúde e de um diagnóstico mais preciso, para evitar o uso desnecessário de antibióticos em infecções virais. “É importante diferenciar uma doença viral de uma pneumonia bacteriana para que o paciente receba o tratamento adequado”, acrescenta.

Apesar da defesa do uso antecipado do antiviral, Noal reforça que a vacinação continua sendo a principal medida de prevenção. “A vacina pode não impedir completamente a infecção, mas reduz significativamente os casos graves e a necessidade de internação. Principalmente as pessoas jovens e aquelas com comorbidades precisam manter a vacinação anual”, destaca.

Hospitais operando acima da capacidade

Enquanto especialistas defendem novas estratégias para conter o agravamento dos casos, os hospitais do município continuam enfrentando alta demanda de pacientes com doenças respiratórias.

O Hospital Dia da Criança ativou o Plano de Contingência Assistencial e passou a atender exclusivamente casos de emergência clínica, após atingir a capacidade máxima em razão do elevado número de crianças com síndromes respiratórias graves.

No Hospital de Clínicas, a Unidade de Emergência opera com ocupação de 145%. Apesar da superlotação, a instituição informa que não houve restrição aos atendimentos. Já o Hospital São Vicente de Paulo relata uma situação mais estável, sem novos picos de procura nem aumento de casos graves.

Vacinação

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a vacinação continua sendo a principal ferramenta para reduzir a circulação dos vírus e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde. Neste ano, mais de 76 mil doses contra a gripe já foram aplicadas em Passo Fundo, sendo cerca de 32 mil destinadas aos grupos prioritários, o que representa cobertura de 58%. Entre as crianças, público considerado prioritário, a adesão é ainda menor, em torno de 51%.

Números da doença

Em 2026, o município contabiliza 416 hospitalizações e 15 mortes por síndromes respiratórias. Dessas, duas foram provocadas por Covid-19, 11 por influenza e outras duas seguem em investigação quanto ao agente causador. O cenário reforça o alerta das autoridades de saúde para a necessidade de ampliar a cobertura vacinal e buscar atendimento médico logo nos primeiros sintomas, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco para complicações.

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