Clima afeta rentabilidade dos produtores de soja na região

Com prejuízos de aproximadamente 35% na produtividade, colheita deve cobrir apenas os custos da lavoura

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Foto: Fernando Dias/SeapiFoto: Fernando Dias/Seapi
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A colheita da safra de soja na região de Passo Fundo está sendo concluída com um cenário preocupante para os produtores rurais: a maioria deles não obteve rentabilidade. A análise é do supervisor regional da Emater/RS-Ascar e responsável pela área de culturas em Passo Fundo, Oriberto Adami. De acordo com ele, a produtividade média ficou bem abaixo do esperado, o que compromete a viabilidade econômica da atividade em muitas propriedades.

Chuva

Mesmo com as chuvas dos últimos dias, que foram importantes para as pastagens e culturas de inverno, os benefícios não chegaram à soja, que já encerrou seu ciclo. “A colheita deu uma estagnada. A gente estima que ainda falta colher entre 15% a 20% da área. Se a chuva continuar, pode comprometer a qualidade dos grãos”, alerta Adami. Ele destaca que algumas áreas já estão há quase uma semana aguardando tempo firme, o que tem gerado apreensão entre os produtores.

A expectativa, segundo o técnico da Emater, é que com a retomada do tempo seco nos próximos dias, o trabalho de colheita seja concluído até o final de semana. “O produtor está agilizando agora, concentrando o maior número de máquinas. Há muito apoio entre vizinhos, com compartilhamento de colheitadeiras e esforço coletivo para evitar perdas ainda maiores.”

Produtividade

Em termos de produtividade, os números reforçam o impacto da estiagem que marcou o início do ano. A média regional deve ficar entre 40 a 45 sacas por hectare, variando de acordo com a localização e as chuvas que ocorreram no mês de janeiro. “Tivemos áreas onde a chuva veio na hora certa, e esses produtores chegaram a colher 70 sacas. Mas em outras, a colheita não passou das 40 sacas. Foi uma safra muito irregular”, aponta Adami. Esse desempenho representa uma queda significativa em relação à média considerada normal para a região, que costuma girar em torno de 63 a 64 sacas por hectare. A redução de aproximadamente 35% no rendimento impacta diretamente na sustentabilidade econômica das propriedades. “Hoje, para cobrir os custos de produção, o produtor precisa colher entre 40 e 45 sacas por hectare. Ou seja, muitos estão apenas empatando ou até amargando prejuízos.”

O quadro é ainda mais delicado para os produtores que trabalham com áreas arrendadas, cujo custo gira entre 20 e 25 sacas por hectare. “Para esses agricultores, a conta fecha no vermelho. E isso sem considerar os investimentos altos feitos em insumos, correções de solo, fertilizantes e maquinário”, ressalta o supervisor da Emater.

Outras culturas

Além da frustração com a colheita da soja, Adami lembra que outras cadeias produtivas também foram afetadas, como a pecuária leiteira. A falta de chuvas comprometeu a produção de pastagens e forragem, levando muitos produtores a antecipar o uso da silagem que seria destinada ao inverno. “Foi necessário lançar mão dos alimentos armazenados, o que pode comprometer o sustento do rebanho nos próximos meses”.

O técnico da Emater destaca ainda a importância de os produtores adotarem práticas de manejo para proteger o solo nos próximos meses. Ele recomenda a cobertura das áreas com culturas como nabo forrageiro, trigo-mourisco e aveia. “É fundamental evitar o chamado vazio outonal. O solo descoberto em períodos de chuvas fortes está sujeito à erosão, o que acarreta prejuízos ainda maiores.” Na sequência, a atenção se volta para o plantio das culturas de inverno, especialmente o trigo e a aveia branca, que devem ocupar parte das áreas colhidas. Adami também reforça a importância de planejar desde já a próxima safra de verão, na expectativa de um cenário climático mais favorável. “Infelizmente, já são três safras consecutivas com pouca ou nenhuma rentabilidade. Isso compromete não apenas a renda das famílias, mas a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva.”

A produção de grãos, especialmente soja, é uma das principais atividades econômicas da região de Passo Fundo e exerce papel fundamental no desenvolvimento do agronegócio gaúcho. A falta de rentabilidade em anos consecutivos acende um sinal de alerta para a manutenção da atividade, que envolve não apenas os agricultores, mas toda uma cadeia de fornecedores, cooperativas, empresas de máquinas e prestadores de serviços.

Com o avanço da colheita, a expectativa é de que, se o tempo colaborar, a safra de verão esteja totalmente concluída até o final desta semana. “O que a gente torce agora é por uma semana de sol. Com isso, a colheita se encerra e os produtores podem voltar as atenções para o solo e o planejamento do próximo ciclo”, finaliza Adami.

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