A colheita do milho avança de forma acelerada na região atendida pelo escritório regional da Emater, que abrange 42 municípios do Norte do Rio Grande do Sul. De acordo com levantamento da entidade, cerca de 20% da área cultivada já foi colhida, indicando um período de intensa movimentação no campo. A produtividade inicial observada nas primeiras lavouras colhidas tem se mantido dentro da média histórica, variando entre 145 e 150 sacas por hectare, resultado considerado positivo pelos técnicos e agricultores.
Segundo o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, boa parte das áreas já atingiu o ponto de maturação, o que deve acelerar os trabalhos nas próximas semanas. “Grande parte da área já está madura. Agora o produtor concentra os esforços nessa atividade, até porque em breve começa também a colheita da soja, o que exige troca de equipamentos e ajustes nas colheitadeiras”, explica.
Na área de abrangência da Emater, o milho ocupa aproximadamente 70 mil hectares dentro de um universo de cerca de 730 mil hectares cultivados com grãos. Apesar do desempenho positivo da cultura, a participação do cereal ainda é considerada baixa no contexto regional.
Cenário positivo
As primeiras áreas colhidas mostram que o milho apresenta resultados satisfatórios, com produtividade média próxima ao histórico regional. Conforme Adami, algumas lavouras registram rendimentos menores, entre 110 e 120 sacas por hectare, enquanto outras superam a média, chegando a patamares expressivos. “Existem áreas que alcançam produtividades muito altas. Em Casca, por exemplo, algumas lavouras estão colhendo entre 240 e 250 sacas por hectare. Isso demonstra o grande potencial da cultura quando as condições são favoráveis”, destaca.
Além da produtividade, a rentabilidade também tem sido apontada como positiva pelos agricultores, especialmente diante do bom desempenho das lavouras mesmo em um cenário climático desafiador. Tradicionalmente, o milho costuma ser considerado uma cultura mais sensível à estiagem e também exige investimento maior em comparação com outras lavouras. No entanto, nos últimos anos, o desempenho tem surpreendido. “Nos últimos dois anos o milho teve bons resultados, inclusive em períodos de estiagem. Isso aconteceu porque houve chuvas até dezembro, o que favoreceu o desenvolvimento inicial das plantas”, afirma o supervisor.
Área de milho é considerada pequena
Mesmo com resultados positivos, o milho ocupa apenas entre 10% e 12% da área agrícola regional, índice considerado baixo pelos técnicos da extensão rural.
De acordo com Adami, ampliar o espaço da cultura é importante tanto para a sustentabilidade produtiva quanto para reduzir riscos econômicos. “O ideal seria termos pelo menos 20% da área com milho, e em alguns sistemas produtivos a recomendação chega a 30%. Hoje estamos abaixo desse patamar”, alerta.
Colheita deve ser concluída em até duas semanas
Com grande parte das lavouras já maduras, a tendência é que a colheita do milho avance rapidamente nos próximos dias. Atualmente, cerca de 60% das áreas estão prontas para serem colhidas, o que deve acelerar o ritmo das operações nas propriedades rurais. “A colheita deve evoluir rapidamente. Em uma semana ou, no máximo, duas, praticamente toda a área estará colhida, com exceção de algumas lavouras plantadas mais tardiamente”, projeta Adami.
Essas áreas tardias ainda estão em processo de maturação fisiológica, mas representam uma parcela pequena da produção regional.
Soja preocupa produtores
Enquanto o milho apresenta resultados positivos, a soja vive um momento de maior apreensão entre os produtores. A cultura domina amplamente a paisagem agrícola da região, ocupando aproximadamente 650 mil hectares, o equivalente a quase 90% da área cultivada com grãos.
As lavouras, porém, enfrentam os efeitos de um verão marcado por chuvas irregulares. Os meses de janeiro e fevereiro registraram precipitações abaixo do esperado, o que afetou o desenvolvimento das plantas. Segundo Adami, a última chuva trouxe certo alívio momentâneo, mas ainda não foi suficiente para garantir o pleno desenvolvimento das lavouras. “A última precipitação ajudou a recuperar parte das lavouras, mas já estamos novamente há vários dias sem chuva. A soja está em uma fase muito importante, que é o enchimento de grãos, responsável por definir o peso e, consequentemente, a produtividade”, explica.
Diante desse cenário, a expectativa dos técnicos e agricultores está voltada para as condições climáticas dos próximos dias. “O ideal seria uma chuva entre 30 e 40 milímetros neste fim de semana. Isso ajudaria a equilibrar a situação e evitar perdas maiores. Sabemos que haverá redução de produtividade em algumas áreas, mas a chuva pode amenizar esse impacto”, ressalta.
A colheita da soja também deverá ocorrer um pouco mais tarde neste ano. O atraso está relacionado principalmente ao calendário de plantio, que foi impactado pela colheita do trigo em algumas áreas. “Atualmente existem poucas lavouras sendo colhidas, algo entre 1% e 2% da área total, principalmente nas áreas mais precoces. A maior parte das lavouras ainda está em enchimento de grãos”, explica Adami.



