Comércio do pinhão começa nesta quarta-feira no RS

Especialista explica que com safra mais produtiva, a expectativa é de preços estáveis em comparação ao ano passado

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Comercialização foi antecipada em duas semanas neste ano - Foto: Rogério Fernandes/ EmaterComercialização foi antecipada em duas semanas neste ano - Foto: Rogério Fernandes/ Emater
Comercialização foi antecipada em duas semanas neste ano - Foto: Rogério Fernandes/ Emater
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O comércio do pinhão tem início oficialmente nesta quarta-feira (1), no Rio Grande do Sul, marcando a abertura antecipada da safra 2026. A liberação, que tradicionalmente ocorria a partir de 15 de abril, foi adiantada neste ano para atender tanto às necessidades do mercado quanto às características naturais de parte das araucárias, que produzem mais cedo.

A expectativa para a safra é positiva. Após três anos consecutivos marcados por perdas em razão de condições climáticas adversas, a produção volta a um patamar considerado normal. A estimativa é de que o Estado comercialize cerca de 1,1 mil toneladas de pinhão, enquanto a região de Passo Fundo deve responder por aproximadamente 135 toneladas, consolidando-se como uma das áreas importantes na oferta do produto no Rio Grande do Sul.

A antecipação da colheita e do comércio representa uma mudança importante para produtores, comerciantes e consumidores, especialmente neste início de outono, período em que o pinhão ganha espaço nas feiras, mercados e pontos de venda da região.

Alteração no calendário

De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater, Ilvandro Barreto, a alteração no calendário busca acompanhar o próprio ciclo biológico das araucárias. Segundo ele, algumas populações de árvores apresentam a capacidade de produzir o chamado pinhão precoce, permitindo que a colheita seja realizada antes do período tradicional. “Costumeiramente a colheita era liberada a partir do dia 15 de abril, mas houve uma antecipação para liberação a partir do dia 1º de abril. Essa mudança também atende a uma solicitação relacionada ao mercado do pinhão, já que existem árvores com capacidade de produzir o fruto precocemente”, explicou.

O profissional ressalta ainda que o ciclo produtivo do pinhão não ocorre de forma uniforme. Existem araucárias de ciclo precoce, médio e tardio, o que faz com que a maturação do fruto se estenda ao longo de vários meses. “Há árvores que têm pinhão completamente maduro apenas em julho e agosto. Por isso, o ciclo da safra se distribui entre diferentes períodos, garantindo oferta por mais tempo”, destacou.

Além do aspecto comercial, a antecipação também considera o manejo sustentável e a preservação ambiental, uma vez que o pinhão tem papel importante na alimentação da fauna silvestre, que dependem da semente durante os meses mais frios.

Segundo Barreto, a melhora da safra neste ano está diretamente relacionada às condições climáticas mais favoráveis em comparação aos últimos ciclos. Embora tenha ocorrido um período de estiagem, os efeitos sobre as araucárias foram menores do que em anos anteriores. “Tivemos nas três últimas safras uma redução significativa na produção em função dos efeitos climáticos. Neste ano, apesar de ter ocorrido estiagem, ela não foi tão intensa a ponto de provocar grandes perdas”, observou.

Boa qualidade

O monitoramento realizado nas áreas produtoras reforça o cenário positivo. Conforme o engenheiro agrônomo, as pinhas analisadas apresentam tamanho adequado e boa quantidade de sementes. “As pinhas que já foram abertas para monitoramento estão bem completas, com pinhão de bom tamanho e sem falhas excessivas. Quando há problemas na safra, isso costuma aparecer no tamanho e na quantidade de sementes por pinha, o que não está acontecendo neste ano”, explicou.

Outro ponto que deve tranquilizar o consumidor é a tendência de estabilidade nos preços. A expectativa da Emater é de que não haja elevação significativa no valor do pinhão ao longo da safra, principalmente porque o mercado gaúcho conta historicamente com o reforço do produto vindo de outros estados da região Sul.

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