As lavouras de canola já colhidas na região de Passo Fundo apresentam perdas de produtividade que podem chegar a 50% em relação ao esperado inicialmente. O excesso de chuva ao longo do ciclo e a ocorrência de uma geada em meados de setembro, durante a formação dos grãos, comprometeram o desenvolvimento das plantas e reduziram o rendimento das áreas. A situação preocupa produtores e técnicos, enquanto a colheita avança e as condições do tempo seguem interferindo nos trabalhos no campo.
A expectativa inicial era alcançar produtividades entre 25 e 30 sacas por hectare, índice considerado satisfatório para a cultura. Entretanto, os resultados observados nas áreas já colhidas têm ficado, em geral, entre 15 e 20 sacas por hectare, com registros de rendimentos ainda menores em algumas lavouras. O cenário representa uma quebra expressiva e reforça a preocupação com o resultado final da safra.
Conforme o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, o desempenho abaixo do esperado está relacionado à combinação de fatores climáticos durante etapas importantes do desenvolvimento da canola. A umidade excessiva prejudicou as condições das lavouras, enquanto a geada atingiu as plantas em um momento decisivo para a formação dos grãos. “A expectativa era colher 25 a 30 sacas, mas o que está ocorrendo é uma produtividade na faixa de 15 a 20 sacas”, explica Adami.
Área cultivada aumentou na região
A canola ganhou espaço na região na última safra. A área plantada passou de aproximadamente 6 mil hectares na safra anterior para cerca de 30 mil hectares no ciclo atual, ampliando a importância da cultura para os produtores. Apesar do crescimento da área, os resultados parciais da colheita indicam que o rendimento ficará abaixo das expectativas em parte significativa das lavouras.
Até o momento, aproximadamente 70% da área de canola já foi colhida. Ainda há talhões a serem retirados, especialmente em locais onde as condições do tempo impediram a entrada das máquinas. Por isso, a avaliação sobre o resultado regional ainda é parcial e dependerá da conclusão dos trabalhos e da consolidação das informações dos produtores.
Os relatos recebidos pela assistência técnica apontam perdas em diferentes municípios, entre eles Maximiliano de Almeida, Lagoa Vermelha, Tupanci do Sul e Marau. Em algumas localidades, a situação é mais preocupante, com registros de produtividade reduzida e outros problemas climáticos que também atingiram as lavouras. A conclusão da colheita será fundamental para dimensionar a extensão dos prejuízos.
Umidade também ameaça o trigo
Enquanto a canola se aproxima do encerramento da colheita, o trigo atravessa uma etapa importante de desenvolvimento, a formação e o enchimento dos grãos. Nesse período, a ocorrência frequente de chuvas e a elevada umidade favorecem o surgimento de doenças nas espigas, situação que pode interferir tanto na produtividade quanto na qualidade do cereal.
O aspecto visual das lavouras, em geral, ainda não permite dimensionar os possíveis prejuízos. A avaliação definitiva dependerá do desenvolvimento das plantas nas próximas semanas e, principalmente, dos resultados obtidos durante a colheita. A maior parte das áreas deve começar a ser colhida no início de novembro.
Outro problema é a dificuldade de realizar os tratamentos necessários nas lavouras. A alternância entre períodos de chuva e breves intervalos de sol reduz o tempo disponível para a entrada de máquinas e equipamentos. Mesmo quando a precipitação cessa, o solo precisa de tempo para perder o excesso de umidade e oferecer condições adequadas para as operações.
Milho enfrenta dificuldades no desenvolvimento inicial
O milho também pode sofrer consequências do excesso de chuva, embora esteja em uma fase diferente do ciclo. Na região, o plantio já foi realizado em praticamente toda a área prevista, e as lavouras estão nos estágios iniciais de germinação e desenvolvimento vegetativo.
Entre os pontos de atenção está a possibilidade de perda de parte do nitrogênio aplicado em cobertura, nutriente importante para o crescimento das plantas. Com o volume elevado de água no solo, pode haver lixiviação, reduzindo a disponibilidade do nutriente. Em algumas áreas, o amarelamento das plantas já chama a atenção dos produtores.
Lavouras precisam de chuvas regulares
Para Adami, mais do que a ocorrência de chuva, a concentração de grandes volumes em intervalos curtos é um dos principais problemas enfrentados no campo. Precipitações acumuladas de 180 a 200 milímetros em poucos dias podem provocar dificuldades para as culturas, atrasar operações e comprometer o planejamento das propriedades rurais. Os impactos também podem atingir estradas e outras estruturas dos municípios. “Ela teria que ser mais escalonada. Mais regular”, afirma o gerente regional da Emater, ao avaliar a distribuição das precipitações.
A alternância entre chuva intensa e períodos curtos de tempo seco dificulta o planejamento das atividades agrícolas. Além de limitar a entrada de máquinas, esse padrão impede que o solo recupere as condições adequadas para o trânsito dos equipamentos, tornando mais complexa a execução dos trabalhos dentro do calendário previsto.


