Educação alimentar na prática

Parceria com agricultores, protagonismo das crianças e incentivo às merendeiras mudam cardápio e incentivam alimentação saudável

Por
· 2 min de leitura
Hortas nas escolas fazem parte da educação alimentarHortas nas escolas fazem parte da educação alimentar
Hortas nas escolas fazem parte da educação alimentar
Você prefere ouvir essa matéria?

A prefeitura de Passo Fundo investiu R$ 850 mil no ano passado para comprar produtos da agricultura familiar que integram o cardápio da merenda escolar da rede municipal de ensino. Frutas, verduras e alguns produtos orgânicos como arroz, feijão e açúcar fazem parte da cesta de alimentos comprados de agricultores que integram seis pequenas cooperativas de Passo Fundo e região. O município compra cerca de 30 toneladas de alimentos todos os meses incluindo os não perecíveis e, além das escolas também fornece para casas de apoio e Semcas.


O processo que começou a ser mudado há mais de cinco anos não é impositivo. Ao contrário, segundo explica o secretário da educação Edmilson Brandão, ele é participativo. Depois de realizarem suas consultas internas, as escolas demandam os alimentos que desejam para compor a merenda. E seguindo os critérios que norteiam o programa que priorizar a segurança alimentar (qualidade dos produtos) nutrição (para evitar sobrepeso e obesidade) e incentivo à agricultura familiar, estes alimentos são enviados para os educandários. Os cardápios são montados pelas cantinas.


A valorização dos profissionais que preparam os alimentos é outra estratégia do programa. Eles recebem formação e são motivados a participar de concursos como o Merenda Chef. As intolerâncias também são observadas pela equipe e cardápios especiais são montados para atender essas especificidades. Entre as mais comuns estão as intolerâncias a lactose ao glúten .

 

Protagonismo
A nutricionista Kely Szymanski Araújo, única representante do RS no Conselho Federal de Nutrição, é responsável por supervisionar o programa. A merenda escolar é regida por normativa federal, mas cada município tem autonomia para regulamentar o serviço. Segundo Kely, a Secretaria de Educação prioriza o protagonismo das crianças. “Todos os alimentos passam pelo teste de aceitação, sempre priorizando a nutrição”, disse. Isso significa dizer que a merenda escolar da rede municipal já avançou na redução de açúcar, sal, produtos processados e gordura, ao ofertar alimentos frescos e produzidos localmente. Esse processo tem repercussão na saúde das crianças que vem sendo observada, por exemplo, através do uniforme escolar que é entregue todos os anos para as famílias. 

Em 2015, o município foi reconhecido pela FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, por sua interação com agricultores familiares.

 

Mais novidades
Atualmente cerca de 100 unidades municipais, entre as 73 escolas, mais casas de acolhimento e a Semcas desfrutam da qualidade destes alimentos. O secretário Edmilson destaca que ações como o incentivo do cultivo de hortas em algumas escolas como a Rita Sirotski, integram o processo de educação alimentar das crianças. “Elas plantam, colhem e comem produtos saudáveis”, disse.


Para este ano, a intenção é ampliar o número de hortas e uma delas será comunitária. Será instalada numa área de 2,5 mil m² ao lado da nova escola do Bairro Santa Marta. O cultivo será em parceria com a comunidade, via Associação de Moradores. O que for cultivado ali, será utilizado pela escola e moradores.


Outra proposta que deve se viabilizar no decorrer do ano é a instalação da Central de Distribuição de alimentos, uma forma de incentivar a produção urbana de alimentos.

 

Cantinas

Em vigência desde o ano passado, Passo Fundo também dispõe de uma legislação que proíbe a comercialização de alimentos considerados prejudiciais à saúde, como refrigerantes e outros comestíveis com alto teor de açúcar ou sal nas cantinas das escolas. O projeto é de autoria do vereador Saul Spinelli.

 

 

Gostou? Compartilhe