Passo Fundo registra queda de 60% no número de mamografias pelo SUS

No último ano, 40% das mulheres passo-fundenses tiveram diagnóstico tardio de câncer de mama

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· 3 min de leitura
Arquivo EBC/Agência BrasilArquivo EBC/Agência Brasil
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A pandemia da Covid-19 e a falta de acesso ao exame de mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) reduziram em quase 60% o número de rastreios por imagem para a detecção precoce do câncer de mama em Passo Fundo. No último ano, 40% das mulheres passo-fundenses tiveram um diagnóstico tardio da doença com um tempo médio de 61 dias entre a confirmação da doença e o início do tratamento ambulatorial. 

Os dados abertos de monitoramento do SISMAMA/DataSUS indicam uma diminuição vertiginosa na cobertura de mamografias pelo sistema público de saúde detalhando, por exemplo, que, entre 2018 a 2020, houve uma queda de até 70% nos registros do exame no município. Segundo uma pesquisa desenvolvida por alunos e professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), entre abril a setembro deste ano, foram realizados apenas 580 exames de rastreio em mulheres residentes na cidade. Em 2018, no mesmo período, 2.096 mamografias foram solicitadas para prevenção ao câncer de mama na segunda cidade gaúcha com a maior taxa de mortalidade pela doença no Estado, conforme projetou o Observatório de Oncologia. Em um contexto de pandemia, a redução percentual anual está sendo de 72,3%, enquanto que, na comparação com 2019, a redução chega a 60% menos exames realizados em mulheres com idades entre 40 a 60 anos. 

O médico oncologista do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Alvaro Machado, observa, porém, que a pandemia do coronavírus agravou o quadro de redução, mas não é a única responsável pelas péssimas taxas de cobertura apresentadas pelo país. A falta de acesso ao exame, mesmo previsto em uma lei que assegura o direito à realização, e uma corrente de desinformação que inunda as redes sociais com fake news sobre uma falsa relação entre a radiação da mamografia e o surgimento do câncer de mama afastam as mulheres dos centros de saúde. “A mamografia salva vidas e todas as mulheres devem fazer o exame anual. A mortalidade tem uma proporção direta com o diagnóstico tardio”, alerta. “O exame feito em pacientes abaixo dos 40 anos é menos capaz de detectar alterações porque a mama mais jovem é menos lúcida e, apesar de acontecer, o câncer é menos incidente em mulheres abaixo dessa faixa-etária”, explicou o médico. 

Fonte: Observatório de Oncologia


Baixa cobertura

Eficaz na detecção de nódulos ou lesões cancerosas nas mamas, o exame leva, em média, 15 a 30min para ser realizado e, como lembra o médico oncologista, não é um procedimento invasivo. Apesar de ser gratuito pela rede pública, a cobertura desse tipo de procedimento atingiu apenas 19% das mulheres em idades indicadas para a submissão ao raio-X mamário, em Passo Fundo, de acordo com a base de dados públicos do Observatório de Oncologia. Em 2019, último ano de referência para a atualização dos números de pacientes, 23,6 mil passo-fundenses haviam entrado no radar de população-alvo da campanha Outubro Rosa. “Existe um abismo entre as mulheres tratadas na rede privada e na rede pública. No Brasil, o sistema público não trata de forma adequada o câncer de mama. Alguns medicamentos não estão disponíveis e isso faz com que, infelizmente, as mulheres vivam menos”, avaliou Machado.

O congelamento dos investimentos públicos em saúde, estipulado ainda em 2016 pelo então presidente, Michel Temer (MDB), dificultou ainda mais a reversão dos péssimos indicadores relacionados à saúde da mulher. Entre 2018 e 2019, como projeta ainda o Observatório, as três unidades hospitalares de Passo Fundo, que são referência em atendimento de média e alta complexidade, receberam, juntas, R$ 763,4 mil reais do governo federal para a realização dos exames de mamografia. Nos dois últimos anos considerados, o Hospital de Clínicas (HC) realizou 3.301 mamografias ao custo de R$ 115,3 mil reais aos cofres do Ministério da Saúde, enquanto que o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) foi responsável pela maior taxa de atendimento. Com 13.499 exames emitidos, R$ 532,2 mil reais foram canalizados para a saúde local. Já no Hospital Municipal, segundo os dados da entidade de monitoramento, as 2,7 mil mamografias realizadas foram responsáveis por escoar R$ 115,4 mil reais a serem aplicados no diagnóstico precoce do câncer mamário nas mulheres passo-fundenses. 

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